Zumbido no ouvido

Zumbido no ouvido é perigoso? Saiba quando o sintoma pode indicar um problema de saúde

Dra Nathália Prudencio
09/18/2026 · 8 min de leitura
homem incomodado tocando o ouvido com o zumbido - zumbido no ouvido é perigoso?

Na maior parte das vezes, o zumbido no ouvido não é perigoso, mas isso não significa que ele deva ser ignorado. Como se trata de um sintoma com muitas causas possíveis, identificar sua origem é fundamental para descartar doenças que necessitam de tratamento e oferecer a abordagem mais adequada.

Ouvir um apito, chiado, assobio ou outro som constante sem que exista uma fonte externa pode causar muita preocupação. Mas será que o zumbido no ouvido é algo perigoso?

Na maioria das vezes, não. 

O zumbido (também chamado de tinnitus ou acufeno) geralmente é um sintoma relacionado a alterações da audição, exposição ao ruído, envelhecimento e outras condições que não representam risco à vida.

Entretanto, em uma parcela dos casos, ele pode ser um sinal de doenças que precisam de investigação e tratamento específicos. Além disso, mesmo em casos benignos, parte das pessoas também precisará adotar estratégias de manejo para impedir que o sintoma prejudique sua qualidade de vida.

Por isso, o mais importante não é apenas perguntar se o zumbido é perigoso, mas entender quais características tornam esse sintoma um sinal de alerta. Neste artigo, você vai conhecer as principais causas, saber quando o zumbido merece uma avaliação médica mais rápida e entender por que um diagnóstico correto faz toda a diferença. Confira!

O zumbido é uma doença?

Não. O zumbido é um sintoma, e não uma doença.

Isso significa que ele pode ser provocado por dezenas de condições diferentes. Da mesma forma que a febre pode surgir por diferentes infecções ou inflamações, o zumbido também pode ter origens variadas.

Não raramente, um mesmo paciente tem vários motivos para ter o sintoma, e a estratégia de tratamento deve ser ampla de modo a abranger não apenas as causas, mas também os fatores associados.

Na maioria dos casos, o zumbido não é perigoso

Embora seja muito incômodo para parte das pessoas, o zumbido costuma estar relacionado a condições benignas.

As causas mais frequentes incluem:

Em muitos pacientes, especialmente entre aqueles com mais de 50 anos, o zumbido pode acompanhar uma perda auditiva gradual, esperada pelo envelhecimento. Entretanto, o sintoma também pode surgir devido à exposição a ruídos altos em ambientes de trabalho, eventos e até com o uso de fone de ouvido em volume alto.

Quando o zumbido pode indicar um problema mais sério?

Apesar de a maioria dos casos ser benigna, existem situações em que o zumbido merece investigação rápida. Confira alguns exemplos abaixo.

Zumbido em apenas um ouvido

O zumbido unilateral persistente chama mais atenção do especialista.

Na maior parte das vezes, ele também possui causas benignas, mas pode estar relacionado a doenças específicas do ouvido interno ou, mais raramente, a tumores benignos do nervo auditivo, como o schwannoma vestibular.

Nesses casos, o médico pode solicitar exames complementares além da audiometria, como a ressonância magnética.

Zumbido pulsátil

Quando o paciente relata ouvir um som semelhante aos batimentos do coração, chamado zumbido pulsátil, a investigação costuma ser diferente.

Esse tipo de zumbido pode estar relacionado a alterações dos vasos sanguíneos próximos ao ouvido, aumento do fluxo sanguíneo ou outras condições vasculares.

Embora muitas causas também sejam benignas, esse é um tipo de zumbido que merece avaliação especializada.

Zumbido acompanhado de perda auditiva súbita

Se o zumbido surgir de forma repentina junto com uma redução da audição, devemos tratar o quadro como uma urgência médica.

A perda auditiva súbita precisa ser avaliada, pois, o tratamento precoce aumenta significativamente as chances de recuperação da audição.

Zumbido com tontura intensa

Quando o zumbido aparece associado a crises de tontura, sensação de ouvido tampado ou perda auditiva, ele pode indicar doenças do ouvido interno, como a doença de Ménière, entre outras condições vestibulares.

Nesses casos, a avaliação com um otoneurologista (especialista em tontura e zumbido) é ainda mais importante para definir o diagnóstico correto.

Zumbido após traumatismo

O aparecimento do zumbido depois de um trauma na cabeça ou no ouvido também merece investigação médica, principalmente se houver trauma acompanhado de perda auditiva, vertigem, sangramento no ouvido e sintomas neurológicos. 

O zumbido pode causar surdez?

Essa é outra dúvida bastante comum.

Na verdade, normalmente acontece o contrário.

Na maioria das pessoas, a perda auditiva é que provoca o zumbido, e não o zumbido que leva à perda da audição. Cerca de 90% dos pacientes com zumbido apresentam algum grau de alteração auditiva quando investigados detalhadamente, mesmo que ainda não tenham percebido dificuldade para ouvir.

Por isso, a audiometria costuma fazer parte da investigação inicial.

O zumbido pode piorar com o tempo?

Depende da causa.

Alguns pacientes apresentam um zumbido passageiro após um show, exposição intensa ao ruído ou uma infecção de ouvido. Nesses casos, o sintoma pode desaparecer completamente. Outros convivem com um zumbido crônico.

Mesmo quando o sintoma persiste, isso não significa necessariamente que o quadro esteja piorando. O cérebro possui uma grande capacidade de adaptação, e muitas pessoas passam a perceber o zumbido cada vez menos ao longo do tempo, especialmente quando recebem tratamento adequado e orientação especializada.

De maneira geral, porém, pessoas com zumbido devem ser mais cautelosas com ambientes barulhentos, pois há possibilidade sim do quadro se agravar.

O estresse pode deixar o zumbido mais forte?

Sim.

Embora o estresse geralmente não seja a causa principal do zumbido, ele pode aumentar bastante a percepção do sintoma.

É comum observar um ciclo como este:

  • o paciente percebe o zumbido;
  • fica preocupado;
  • aumenta a ansiedade;
  • presta ainda mais atenção ao som;
  • o cérebro passa a interpretar o zumbido como algo importante;
  • a percepção aumenta.

Esse mecanismo explica por que momentos de tensão, noites mal dormidas e períodos de ansiedade frequentemente fazem o zumbido parecer mais intenso, mesmo quando não há uma doença de base.

Como saber se meu zumbido precisa de investigação?

Algumas perguntas ajudam a identificar a necessidade de uma avaliação especializada:

  • O zumbido é persistente?
  • Está presente apenas em um ouvido?
  • É pulsátil, acompanhando os batimentos cardíacos?
  • Surgiu junto com perda auditiva?
  • Está associado a tontura importante?
  • Está piorando progressivamente?
  • Está comprometendo seu sono, concentração ou qualidade de vida?

Se a resposta for “sim” para qualquer uma dessas perguntas, é importante consultar um médico otoneurologista. 

Como é feita a investigação do zumbido?

A avaliação começa por uma conversa detalhada sobre o tipo de zumbido — seu início, intensidade e sintomas associados — junto à otoscopia.

Depois disso, podem ser realizados exames como:

  • audiometria tonal e vocal;
  • imitanciometria;
  • exames laboratoriais, quando indicados;
  • ressonância magnética em situações específicas;
  • exames vasculares para casos de zumbido pulsátil.

Nem todo paciente precisa realizar todos esses exames. A escolha depende das características clínicas de cada caso.

Existe tratamento para o zumbido?

Sim.

O tratamento não é único, pois depende da causa identificada. A depender do diagnóstico, o médico especialista pode indicar:

  • remoção de excesso de cera;
  • reabilitação auditiva (geralmente com uso de aparelhos);
  • tratamento de doenças do ouvido interno;
  • controle de fatores metabólicos associados;
  • manejo da ansiedade;
  • terapia sonora;
  • Terapia Cognitivo-Comportamental;
  • orientação para proteção auditiva.

Diferentemente do que muitos imaginam, os medicamentos só são utilizados em casos específicos e geralmente não atuam no zumbido de fato, mas em alguma causa subjacente. Na maioria dos pacientes, o ideal é adotar uma abordagem multidisciplinar para garantir não apenas a melhora do sintoma, mas principalmente a qualidade de vida.

Concluindo, se o zumbido é persistente, unilateral, pulsátil, veio acompanhado de perda auditiva ou está prejudicando sua vida em qualquer aspecto, não tarde em procurar ajuda. 

A equipe da NP Balance é dedicada ao diagnóstico e tratamento de pacientes com zumbido e tontura. Atendemos presencialmente em São Paulo e também oferecemos teleconsulta para pacientes do Brasil e do exterior.

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Sobre o autor

Dra Nathália Prudencio

Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.

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