O zumbido pulsátil é diferente do zumbido comum (geralmente contínuo), pois tem um ritmo. Em muitos casos, o pulsar acompanha os batimentos cardíacos, indicando causas vasculares. Quando é assíncrono aos batimentos, suspeitamos de problemas musculares no ouvido ou próximos à região do ouvido.
Ouvir um chiado constante é uma queixa frequente nos consultórios de otorrinolaringologia. No entanto, algumas pessoas descrevem um sintoma diferente: um som que parece acompanhar o ritmo do coração, como uma pulsação, um “tum-tum” ou uma batida dentro do ouvido.
Esse quadro recebe o nome de zumbido pulsátil e merece atenção especial. Embora muitas causas sejam benignas, esse tipo de zumbido pode estar relacionado a alterações vasculares, doenças do ouvido ou outras condições que precisam ser investigadas.
Ao contrário do zumbido tradicional, que costuma estar relacionado à perda auditiva ou a alterações nas vias auditivas, o zumbido pulsátil frequentemente tem uma causa identificável e, em muitos casos, tratável.
Neste artigo, você entenderá o que é o zumbido pulsátil, quais são suas principais causas, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos podem ser indicados.
O que é zumbido pulsátil?
Como dito, o zumbido pulsátil é um tipo de zumbido caracterizado pela percepção de um som rítmico que pode ser ou não sincronizado com os batimentos cardíacos.
Muitas pessoas o descrevem como:
- uma pulsação dentro do ouvido;
- um som de coração batendo;
- um ruído semelhante ao fluxo de sangue;
- um “tum-tum” repetitivo;
- uma batida ritmada.
Em alguns casos, o sintoma ocorre apenas em um ouvido. Em outros, pode ser percebido dos dois lados.
Uma característica importante é que ele costuma ficar mais evidente em ambientes silenciosos ou durante a noite, quando há menos sons externos competindo com essa percepção.
Qual é a diferença entre zumbido pulsátil e zumbido comum?
A principal diferença está na origem do som.
O zumbido comum geralmente é contínuo e pode ser percebido como chiado, apito, cigarra ou panela de pressão. Na maioria das vezes, está relacionado à perda auditiva, envelhecimento, exposição ao ruído ou alterações do sistema auditivo.
Já o zumbido pulsátil tem som rítmico, síncrono ou assíncrono aos batimentos cardíacos. Em alguns casos, pode até ser detectado por instrumentos no consultório.
Essas características fazem com que sua investigação seja diferente da realizada nos casos convencionais de zumbido.
Quais são as principais causas do zumbido pulsátil?
Existem diversas causas possíveis. A seguir, listo algumas das mais recorrentes.
Alterações dos vasos sanguíneos
As causas vasculares estão entre as mais frequentes.
Alterações no fluxo do sangue podem gerar turbulências que acabam sendo percebidas pelo ouvido como um som pulsátil.
Entre elas estão:
- estreitamentos de artérias ou seios venosos;
- alterações nas veias próximas ao ouvido como a jugular;
- malformações vasculares como fístulas;
- aumento do fluxo sanguíneo em determinadas regiões.
Dependendo da causa, o tratamento pode variar desde acompanhamento clínico até procedimentos específicos.
Hipertensão arterial
Embora a pressão alta não seja uma causa comum de zumbido, alterações da pressão arterial podem tornar o fluxo sanguíneo mais perceptível em algumas situações , especialmente quando está descontrolada.
Controlar adequadamente a pressão arterial é importante tanto para reduzir sintomas quanto para prevenir complicações cardiovasculares.
Hipertensão intracraniana idiopática
Nessa condição, ocorre aumento da pressão do líquido que envolve o cérebro, sem uma causa evidente.
Além do zumbido pulsátil, podem surgir sintomas como:
- dor de cabeça;
- alterações visuais como diplopia;
- visão embaçada;
- episódios de escurecimento da visão.
É uma condição que necessita de avaliação médica especializada.
Alterações do ouvido médio
Algumas doenças do ouvido também podem provocar zumbido pulsátil.
Entre elas estão alterações inflamatórias, tumores raros do ouvido médio como o paraganglioma e condições que modificam a transmissão dos sons nesta região.
Embora sejam menos frequentes, fazem parte da investigação.
Aumento do fluxo sanguíneo
Situações em que o organismo aumenta naturalmente o fluxo de sangue também podem favorecer o aparecimento do sintoma.
Isso pode ocorrer, por exemplo, durante:
- gravidez;
- anemia importante;
- hipertireoidismo.
Nesses casos, tratar a condição de base costuma melhorar o zumbido.
Causas musculares
O zumbido pulsátil de origem muscular ocorre principalmente devido a espasmos ou contrações involuntárias de pequenos músculos locais, como o tensor do tímpano e o estapédio no ouvido médio, ou por músculos do palato.
O zumbido pulsátil pode ser grave?
Na maioria dos casos, o sintoma não representa uma emergência médica.
Entretanto, diferentemente do zumbido comum, o zumbido pulsátil merece uma investigação mais detalhada porque algumas de suas causas necessitam de tratamento específico.
Por esse motivo, não é recomendado simplesmente conviver com o sintoma por meses ou anos sem procurar avaliação.
Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de um tratamento eficaz.
Como é feito o diagnóstico?
O primeiro passo é uma consulta detalhada, preferencialmente com um médico especialista — neste caso, o otoneurologista, o otorrino especialista em tontura e zumbido no ouvido.
Na entrevista com o paciente, o médico procura entender características como:
- quando o zumbido começou;
- se ocorre em apenas um ouvido ou nos dois;
- se acompanha exatamente os batimentos cardíacos;
- se é contínuo ou intermitente;
- quais fatores aumentam ou diminuem o sintoma;
- existência de perda auditiva, tontura, dor de cabeça ou alterações visuais.
Em seguida, é realizado um exame físico completo da cabeça, pescoço e ouvidos.
Durante a consulta, o especialista também pode auscultar a região do pescoço e ao redor da orelha para identificar possíveis sopros vasculares.
Quais exames podem ser solicitados?
Nem todo paciente precisará realizar exames. A escolha depende da suspeita clínica levantada durante a avaliação.
Abaixo, cito os principais exames que podem ser solicitados.
Audiometria
A audiometria avalia a audição e ajuda a identificar doenças do ouvido que possam estar relacionadas ao sintoma.
Mesmo quando o paciente acredita ouvir normalmente, esse exame pode revelar alterações discretas.
Exames de imagem
Quando existe suspeita de alterações vasculares ou estruturais, podem ser solicitados exames como:
- tomografia computadorizada;
- ressonância magnética;
- angiorressonância;
- angiotomografia.
Esses exames permitem visualizar vasos sanguíneos, ouvido médio e estruturas intracranianas.
Exames laboratoriais
Dependendo da história clínica, o médico também pode solicitar exames de sangue para investigar condições como anemia, alterações da tireóide, pressão alta e outras doenças sistêmicas.
Existe tratamento para o zumbido pulsátil?
Sim, mas o tratamento depende inteiramente da causa.
Alguns exemplos incluem:
- tratamento da anemia se houver;
- manejo do hipertireoidismo;
- medicamentos para hipertensão intracraniana idiopática;
- procedimentos endovasculares em alterações vasculares específicas;
- cirurgias em situações selecionadas.
Ao contrário do zumbido subjetivo tradicional, em que nem sempre é possível eliminar completamente o sintoma, o zumbido pulsátil frequentemente melhora ou desaparece quando sua causa é tratada.
Quando procurar atendimento com urgência?
Embora a maioria dos casos não represente uma emergência, alguns sinais exigem avaliação médica imediata.
Procure atendimento rapidamente se o zumbido pulsátil surgir acompanhado de:
- perda súbita da audição;
- fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
- dificuldade para falar;
- alteração importante da visão;
- dor de cabeça intensa e súbita;
- perda de consciência;
- tontura intensa de início abrupto.
Esses sintomas podem indicar condições neurológicas ou vasculares que necessitam de atendimento urgente.
É possível prevenir o zumbido pulsátil?
Nem todas as causas podem ser prevenidas, mas alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de doenças relacionadas.
Entre eles estão:
- manter a pressão arterial controlada;
- tratar doenças cardiovasculares;
- realizar acompanhamento médico quando houver anemia ou alterações da tireoide;
- manter hábitos de vida saudáveis;
- procurar avaliação diante de sintomas persistentes, sem recorrer à automedicação.
Em todos os casos, saiba que qualquer zumbido rítmico, que acompanhe ou não os batimentos cardíacos, deve ser avaliado por um especialista. Embora nem sempre seja sinal de um problema grave, esse sintoma merece uma avaliação cuidadosa.
Com uma história clínica detalhada, exame físico e, quando necessário, exames complementares, é possível identificar sua causa e indicar o tratamento mais adequado, proporcionando mais segurança, qualidade de vida e, em muitos casos, a resolução completa do problema.
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Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



