A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é uma das causas mais comuns de tontura. Ela provoca crises rápidas de vertigem desencadeadas por movimentos da cabeça, mas costuma ter tratamento simples e altamente eficaz quando diagnosticada corretamente.
Poucas situações assustam tanto quanto sentir que o ambiente começa a girar repentinamente ao deitar na cama, levantar-se ou virar a cabeça. Muitas pessoas acreditam que estão tendo um problema neurológico grave, um AVC ou a famosa “labirintite“.
Na realidade, uma das causas mais frequentes desse tipo de tontura é a vertigem posicional paroxística benigna, ou apenas VPPB.
Apesar do nome complicado, trata-se de uma condição bastante conhecida pelos especialistas em tontura e que, na maioria dos casos, pode ser resolvida sem medicamentos, por meio de manobras específicas realizadas no consultório.
Conhecer os sintomas da VPPB é importante porque ela possui características muito diferentes de outras doenças do equilíbrio. Um diagnóstico correto evita exames desnecessários, uso inadequado de remédios ou o prolongar do sofrimento do paciente.
Hora de você saber tudo sobre este quadro!
O que é a VPPB?
A vertigem posicional paroxística benigna, conhecida pela sigla VPPB, é um distúrbio do ouvido interno que provoca episódios curtos de vertigem desencadeados por mudanças na posição da cabeça.
Cada palavra do nome descreve uma característica da doença:
- vertigem: sensação de que tudo está girando;
- posicional: ocorre ao realizar determinadas posições ou movimentos com a cabeça;
- paroxística: aparece em crises súbitas e de curta duração;
- benigna: não representa uma doença grave, nem provoca lesões permanentes.
A VPPB é considerada a causa mais frequente de vertigem periférica em adultos e pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum em idosos.
O que causa a VPPB?
Dentro do ouvido interno existem pequenos cristais de carbonato de cálcio chamados otólitos. Estes cristais fazem parte do sistema responsável por perceber acelerações e movimentos da cabeça.
Na VPPB, alguns desses cristais se desprendem do local onde deveriam permanecer e passam a circular dentro dos canais semicirculares, estruturas que detectam os movimentos da cabeça.
Quando a pessoa muda de posição — como ao deitar, levantar ou olhar para cima — esses cristais se movimentam dentro do canal e enviam sinais incorretos ao cérebro. O resultado é uma intensa sensação de que tudo está girando, mesmo quando o corpo está parado.
Em muitos casos, não é possível identificar exatamente por que os cristais se soltaram. Entretanto, alguns fatores aumentam o risco, como:
- envelhecimento natural;
- traumatismos na cabeça;
- baixa de vitamina D;
- períodos prolongados de repouso;
- histórico prévio de VPPB.
Quais são os sintomas da VPPB?
A característica mais marcante da VPPB é a vertigem intensa provocada por movimentos específicos da cabeça.
Os episódios costumam durar apenas alguns segundos, raramente ultrapassando um minuto, e os gatilhos mais comuns incluem:
- deitar na cama;
- virar de lado durante o sono;
- levantar-se rapidamente;
- olhar para cima;
- abaixar para pegar objetos no chão.
Além da sensação de giro, podem ocorrer náuseas, suor frio, insegurança para caminhar logo após a crise, bem como uma sensação passageira de desequilíbrio.
Entre uma crise e outra, os pacientes geralmente permanecem assintomáticos. Essa característica ajuda a diferenciar a VPPB de outras doenças vestibulares, nas quais a tontura costuma durar horas ou dias.
VPPB é a mesma coisa que labirintite?
Não.
Esse é um dos erros mais comuns.
Popularmente, muitas pessoas usam o termo “labirintite” para qualquer tipo de tontura, mas isso não é correto.
A verdadeira labirintite é a inflamação do labirinto, um quadro agudo raro, geralmente causado por infecções. Já a VPPB acontece porque pequenos cristais se deslocam dentro do ouvido interno, como explicado.
Embora ambas possam provocar vertigem, são doenças diferentes, com causas, evolução e tratamentos distintos.
Por isso, todo paciente com crises de tontura deve ser avaliado por um profissional capacitado antes de receber qualquer diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria dos casos, o diagnóstico é realizado durante a consulta.
O médico analisa a história clínica e realiza testes específicos de posicionamento da cabeça, sendo o mais conhecido a manobra de Dix-Hallpike.
Durante esse exame, o paciente é colocado rapidamente em determinadas posições. Caso a VPPB esteja presente, a manobra reproduz a vertigem e provoca um movimento involuntário dos olhos chamado nistagmo, considerado um importante sinal diagnóstico.
Na maioria das vezes, exames não são necessários, sendo solicitados apenas quando existem sinais que sugerem outras doenças.
Como é o tratamento da VPPB?
Uma das maiores vantagens é que a VPPB costuma responder muito bem ao tratamento.
Na maioria dos casos, utilizam-se manobras de reposicionamento dos cristais, realizadas pelo médico ou fisioterapeuta especializado.
Essas manobras utilizam uma sequência específica de movimentos da cabeça para conduzir os cristais de volta ao local onde eles não provocam sintomas.
Entre as mais utilizadas estão:
- manobra de Epley;
- manobra de Gufoni;
- manobra de Semont.
Muitos pacientes apresentam melhora logo após a primeira sessão. Outros podem precisar de novas manobras até que o incômodo desapareça.
Quando os sintomas persistem, porém, outras causas de tontura devem ser investigadas.
Existe remédio para a VPPB?
Não.
Medicamentos para tontura podem aliviar temporariamente o desconforto durante crises intensas, mas não recolocam os cristais na posição correta.
Por isso, eles não tratam a causa da VPPB.
O tratamento mais eficaz continua sendo o reposicionamento dos cristais por meio das manobras apropriadas.
Essa é uma das razões pelas quais o diagnóstico correto faz tanta diferença.
A VPPB pode voltar?
Sim.
Mesmo após um tratamento bem-sucedido, uma parte dos pacientes pode apresentar novas crises meses ou anos depois.
Isso não significa que o tratamento falhou.
A recorrência acontece porque novos cristais podem voltar a se desprender naturalmente ao longo da vida.
Felizmente, quando isso ocorre, o tratamento costuma ser novamente simples e bastante eficaz.
Algumas pessoas aprendem a reconhecer rapidamente os sintomas e procuram atendimento logo nas primeiras crises, reduzindo o impacto na rotina.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Embora a VPPB seja muito comum, nem toda vertigem é causada por ela.
Procure atendimento médico imediatamente se a tontura vier acompanhada de:
- fraqueza em um lado do corpo;
- dificuldade para falar;
- perda súbita da visão;
- desmaio;
- dor de cabeça muito intensa e incomum;
- dificuldade importante para caminhar;
- perda auditiva súbita.
Esses sinais podem indicar outras condições que exigem avaliação urgente.
Como prevenir novas crises?
Não há um protocolo de prevenção específico para a VPPB. O quadro pode e geralmente se dá espontaneamente, e, diante disso, o mais recomendável é procurar um médico o quanto antes, não apenas para se livrar do desconforto, mas também para prevenir quedas e acidentes.
A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é uma das principais causas de vertigem e, felizmente, também uma das que apresentam melhor resposta ao tratamento. Entretanto, se você apresenta tontura ao deitar, levantar ou virar a cabeça, não tente descobrir sozinho a causa do problema.
Uma avaliação especializada é fundamental para diferenciar a VPPB de outras doenças do equilíbrio e indicar o tratamento mais adequado. Com o diagnóstico correto, a maioria dos pacientes consegue recuperar rapidamente a qualidade de vida e voltar às atividades habituais com segurança.
A NP Balance é uma clínica médica especializada em otoneurologia, com uma equipe totalmente voltada para o tratamento de tontura e zumbido no ouvido, incluindo quadros como a VPPB.
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Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



