A tontura, popularmente chamada de labirintite, é uma experiência extremamente comum, presente nos mais variados diagnósticos. Não é uma doença em si, mas um sintoma cujo tratamento depende de sua causa subjacente.
Sentir o mundo girar de repente, perder o equilíbrio ao levantar da cama ou caminhar com a sensação de que o chão está balançando são experiências que costumam causar bastante preocupação. Não por acaso, milhares de brasileiros recorrem diariamente ao Google e às ferramentas de IA em busca de informações sobre tontura e labirintite.
Diversas pessoas passam meses — ou até anos — convivendo com episódios repetidos de tontura sem compreender exatamente o que está acontecendo. Muitas utilizam medicamentos apenas para aliviar os sintomas, sem saber a verdadeira causa por trás do problema.
A boa notícia é que a grande maioria das doenças e disfunções que causam tontura podem ser diagnosticadas corretamente quando a história clínica é bem investigada e o paciente é avaliado por um profissional experiente.
Eu sou a Dra Nathália Prudencio, e, neste guia completo, tiro todas as suas dúvidas sobre tontura e labirintite, da investigação do sintoma aos principais diagnósticos e tratamentos. E começo por aqui: será que a sua tontura é mesmo labirintite?
Continue a leitura para descobrir!
Nem toda tontura é labirintite
Nem toda tontura é labirintite. Isso é algo que nós, médicos, não cansamos de repetir.
Ao longo dos anos, o termo “labirintite” acabou sendo incorporado ao vocabulário popular como um sinônimo de qualquer quadro de tontura ou vertigem, o que gera bastante confusão.
Pessoas com doenças completamente diferentes acabam utilizando exatamente o mesmo termo para descrever seus sintomas. E pior é que muitas delas acreditam que tudo se trata de uma coisa só.
Em rigor, a labirintite é a inflamação do labirinto (o sufixo “ite” significa inflamação, por isso “labirintite”), um quadro infeccioso agudo, grave e muito raro. Logo, a maioria das pessoas que se queixa de “labirintite”, na verdade não tem essa doença, mas quadros muito mais frequentes que também causam tontura, como a VPPB e a enxaqueca vestibular.
Para cada causa, há um conjunto específico de sintomas e também de tratamentos, por isso você deve sempre desconfiar de remédios ou terapias que prometem cura, sem levar em conta o diagnóstico.
O que é o labirinto?
O labirinto é uma estrutura extremamente delicada localizada na porção mais interna do ouvido. Apesar do nome curioso, ele não possui corredores ou caminhos como um labirinto tradicional. A denominação surgiu devido ao formato complexo dessa região.
Além de participar da audição, o ouvido interno desempenha uma função fundamental para o equilíbrio corporal.
Enquanto nossos olhos informam ao cérebro onde estamos e nossos músculos e articulações enviam informações sobre a posição do corpo, o labirinto monitora continuamente os movimentos da cabeça. Essas informações são enviadas ao cérebro em frações de segundo, permitindo que permaneçamos em pé, caminhemos, corramos ou simplesmente viremos a cabeça sem perder o equilíbrio.
Sempre que esse sistema deixa de funcionar adequadamente, o cérebro passa a receber informações conflitantes sobre a posição do corpo. O resultado pode ser uma série de sintomas, como:
- sensação de que tudo está girando;
- instabilidade para caminhar;
- desequilíbrio;
- náuseas;
- suor frio;
- dificuldade para fixar o olhar;
- sensação de cabeça leve ou flutuando.
Nem sempre, porém, o problema está propriamente no labirinto. Existem situações em que alterações neurológicas, cardiovasculares, metabólicas ou até mesmo funcionais podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, embora o ouvido interno seja uma das estruturas mais importantes para o equilíbrio, ele está longe de ser o único responsável pelos quadros de tontura.
O que é tontura?
Poucas palavras são tão abrangentes na medicina quanto “tontura”.
Quando um paciente afirma que está tonto, isso pode significar diversas sensações completamente diferentes.
Algumas pessoas descrevem a impressão de que o ambiente gira ao redor delas.
Outras sentem como se estivessem caminhando sobre um barco.
Há quem relate fraqueza, escurecimento da visão ao levantar rapidamente, sensação de flutuar, desequilíbrio ou insegurança para caminhar.
Todas essas experiências costumam ser chamadas popularmente de tontura (ou “labirintite”), mas representam fenômenos distintos.
Essa diferença é importante porque cada tipo de tontura pode indicar causas diferentes.
Durante a consulta, uma das primeiras tarefas do médico consiste justamente em compreender como o paciente percebe seus sintomas.
Perguntas aparentemente simples, como “o ambiente gira?”, “você sente que vai desmaiar?” ou “o problema aparece apenas quando vira a cabeça?” fornecem pistas extremamente valiosas para o diagnóstico.
O desafio, portanto, está justamente em descobrir qual a causa base que está provocando os sintomas.
Vertigem: um tipo específico de tontura
Entre todas as formas de tontura, existe uma que merece atenção especial: a vertigem.
A vertigem é caracterizada pela falsa sensação de movimento.
Na maioria das vezes, o paciente descreve que o ambiente parece girar ao seu redor, como se estivesse em um carrossel. Em outras situações, a impressão é de que o próprio corpo está rodando ou sendo puxado para um dos lados.
Esse tipo de tontura costuma estar relacionado a alterações do sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio.
A vertigem pode surgir de forma intensa e repentina, frequentemente acompanhada por sintomas como náuseas, vômitos, dificuldade de permanecer de pé, suor frio ou piora ao movimentar a cabeça.
Entretanto, embora seja uma das manifestações mais comuns, nem toda tontura corresponde a uma vertigem.
Algumas pessoas apresentam apenas sensação de instabilidade, enquanto outras relatam um desequilíbrio persistente sem a impressão de que tudo está girando.
Reconhecer essa diferença ajuda o médico a direcionar melhor a investigação.
Afinal, o que é labirintite de verdade?
Como dito, a labirintite verdadeira trata-se de uma inflamação do labirinto, geralmente provocada por uma infecção viral ou bacteriana que acomete o ouvido interno.
Nesses casos, além da tontura intensa, é comum haver comprometimento da audição, uma vez que o labirinto também participa do funcionamento auditivo.
Os sintomas costumam surgir de forma abrupta e podem incluir:
- vertigem intensa;
- náuseas e vômitos;
- perda auditiva;
- zumbido;
- dificuldade para caminhar;
- desequilíbrio importante.
Dependendo da causa, o tratamento pode envolver medicamentos específicos, controle dos sintomas e acompanhamento médico cuidadoso.
Apesar da fama que a doença adquiriu, a labirintite infecciosa representa apenas uma pequena parcela dos casos atendidos nos consultórios de otoneurologia.
Na maioria das vezes, a tontura decorre de outras condições, como vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), doença de Ménière, neurite vestibular, enxaqueca vestibular, tontura postural perceptual persistente (TPPP), entre outros quadros mais recorrentes.
Doenças que causam tontura, mas não são labirintite
Na realidade, dezenas de doenças podem afetar o sistema responsável pelo equilíbrio. Algumas acometem diretamente o ouvido interno. Outras envolvem alterações neurológicas, cardiovasculares, metabólicas ou até fatores psicológicos e funcionais.
Embora os sintomas possam parecer semelhantes à primeira vista, existem diferenças importantes entre essas condições.
Algumas provocam crises que duram apenas alguns segundos. Outras permanecem por horas ou dias. Certas doenças afetam também a audição, enquanto outras não provocam qualquer alteração auditiva. Há quadros que aparecem apenas ao movimentar a cabeça e outros que surgem espontaneamente, sem um gatilho evidente.
Observar essas características ajuda o especialista a construir o diagnóstico de forma muito mais precisa.
A seguir, trago diagnósticos frequentemente chamados de “labirintite”, mas que são muito mais frequentes que a labirintite, de fato.
Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)
Entre todas as doenças do sistema vestibular, a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é uma das causas mais frequentes de vertigem.
Apesar do nome longo e pouco familiar, trata-se de uma condição bastante conhecida pelos especialistas em tontura e que costuma responder muito bem ao tratamento adequado.
O principal sintoma é uma vertigem intensa, geralmente de curta duração, desencadeada por determinados movimentos da cabeça.
É muito comum que o paciente relate situações como:
- a tontura aparece ao virar na cama;
- surge ao olhar para cima;
- acontece ao abaixar para pegar um objeto;
- aparece ao levantar da cama pela manhã;
- melhora quando permanece parado.
As crises costumam durar apenas alguns segundos ou, no máximo, cerca de um minuto, mas podem ser extremamente intensas. Durante esse período, muitas pessoas têm a impressão de que o quarto inteiro está girando.
Esse quadro acontece porque pequenos cristais de carbonato de cálcio — conhecidos como otólitos — se deslocam para locais inadequados dentro do labirinto.
Esses cristais participam normalmente do funcionamento do sistema vestibular. Entretanto, quando migram para um dos canais semicirculares do ouvido interno, passam a estimular incorretamente os sensores responsáveis pelo equilíbrio.
O cérebro interpreta essas informações como se a cabeça estivesse realizando um movimento que, na realidade, não está acontecendo. O resultado é a vertigem.
Apesar do desconforto provocado pelas crises, a VPPB costuma apresentar excelente prognóstico.
Na maioria dos casos, o tratamento é realizado por meio de manobras específicas executadas pelo médico ou fisioterapeuta especializado, sendo a manobra de Epley a mais conhecida. Esses movimentos têm como objetivo reposicionar os cristais no local correto do ouvido interno, permitindo que deixem de provocar os episódios de vertigem.
É justamente por esse motivo que muitos pacientes melhoram rapidamente após uma única consulta especializada, sem necessidade de utilizar medicamentos por longos períodos.
Doença de Ménière
Outra condição frequentemente confundida com labirintite é a doença de Ménière.
Diferentemente da VPPB, essa doença costuma provocar crises mais prolongadas, que podem durar de vinte minutos até várias horas.
Além da vertigem intensa, existe uma característica bastante marcante: o comprometimento da audição.
Durante as crises, muitos pacientes relatam uma combinação de sintomas bastante típica:
- sensação de ouvido tampado;
- zumbido;
- diminuição da audição;
- pressão dentro do ouvido;
- vertigem intensa acompanhada de náuseas.
Nem todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo, principalmente nas fases iniciais da doença, mas essa associação costuma levantar uma forte suspeita diagnóstica.
A causa exata da doença de Ménière ainda não é completamente compreendida. A principal hipótese envolve um aumento da pressão dos líquidos existentes no ouvido interno, alterando temporariamente o funcionamento das estruturas responsáveis pela audição e pelo equilíbrio.
As crises podem ocorrer de forma imprevisível. Algumas pessoas passam meses sem apresentar sintomas e, de repente, experimentam novos episódios.
Com o passar dos anos, alguns pacientes podem desenvolver perda auditiva progressiva, motivo pelo qual o acompanhamento médico é tão importante.
O tratamento costuma envolver mudanças de hábitos, controle dos fatores desencadeantes e, dependendo de cada caso, medicamentos ou outras abordagens específicas.
Neurite vestibular
Entre as causas de vertigem intensa, a neurite vestibular ocupa um lugar de destaque.
Essa doença costuma surgir de maneira bastante repentina. Muitos pacientes conseguem dizer exatamente o momento em que tudo começou.
Frequentemente, o quadro aparece alguns dias após uma infecção viral das vias respiratórias, como uma gripe ou resfriado.
Subitamente, a pessoa desenvolve uma vertigem intensa e contínua, acompanhada de sintomas como:
- dificuldade para permanecer em pé;
- náuseas importantes;
- vômitos;
- incapacidade para caminhar normalmente;
- piora importante ao movimentar a cabeça.
Ao contrário da VPPB, cuja vertigem dura apenas segundos, na neurite vestibular a tontura pode permanecer durante vários dias.
Isso acontece porque ocorre uma inflamação do nervo vestibular, responsável por transmitir ao cérebro as informações sobre equilíbrio provenientes do ouvido interno.
Como um dos lados deixa de funcionar adequadamente, o cérebro passa a receber informações assimétricas entre os dois ouvidos, produzindo uma intensa sensação de movimento.
Uma característica importante é que a neurite vestibular normalmente não provoca perda auditiva ou zumbido.
Após a fase aguda, o organismo inicia um processo conhecido como compensação vestibular, onde o cérebro aprende gradualmente a adaptar-se às novas informações, reduzindo progressivamente a intensidade da tontura.
Em muitos casos, porém, a reabilitação vestibular desempenha papel fundamental para acelerar essa recuperação.
Enxaqueca vestibular (migrânea vestibular)
Muitas pessoas associam enxaqueca exclusivamente à dor de cabeça. Entretanto, existe uma forma bastante comum da doença em que a tontura pode ser também um sintoma importante e incômodo.
Essa é a chamada enxaqueca vestibular, também referida como migrânea vestibular.
Essa condição é hoje reconhecida como uma das causas mais frequentes de tontura recorrente, principalmente em mulheres adultas.
As crises podem assumir características bastante variadas, mas em geral os pacientes apresentam:
- vertigem;
- sensação de balanço;
- instabilidade;
- sensibilidade intensa à luz;
- intolerância a sons;
- enjoo;
- dificuldade para se concentrar.
Curiosamente, nem toda crise de dor de cabeça é acompanhada por tontura.
Isso faz com que muitas pessoas convivam durante anos com episódios repetidos de tontura sem imaginar que o problema possa estar relacionado à enxaqueca.
Outro aspecto interessante é que diversos estímulos capazes de desencadear crises de enxaqueca também podem precipitar episódios vestibulares, como privação de sono, estresse, alterações hormonais, jejum prolongado e consumo de determinados alimentos.
O diagnóstico costuma basear-se na história clínica, já que exames de imagem frequentemente são normais.
Uma vez identificado corretamente, o tratamento pode reduzir de forma significativa a frequência e a intensidade das crises.
Tontura postural perceptual persistente (TPPP)
O paciente com TPPP é comumente aquele que já passou por vários médicos, já realizou vários exames, mas não encontrou nada que acusasse um problema de saúde.
A tontura postural perceptual persistente (TPPP), anteriormente conhecida como vertigem fóbica, trata-se de uma condição relativamente recente do ponto de vista diagnóstico, mas extremamente frequente nos consultórios especializados.
Ao contrário da vertigem clássica, a TPPP geralmente não produz a sensação de que tudo está girando.
Os pacientes costumam descrever experiências como:
- sensação constante de estar em um barco;
- cabeça pesada;
- instabilidade ao caminhar;
- impressão de flutuar;
- dificuldade para permanecer em locais movimentados.
Além disso, muitos relatam piora em ambientes visualmente complexos, como supermercados, shopping centers, aeroportos e ruas movimentadas. Também é comum que os sintomas piorem quando a pessoa permanece em pé durante períodos prolongados.
Embora seja muito associada a fatores emocionais e psicológicos, ansiedade e estresse não são necessariamente a causa da TPPP, mas podem contribuir para sua manutenção ou agravamento.
Na verdade, a TPPP é uma condição crônica que surge quando o cérebro falha em se readaptar após um evento inicial de desequilíbrio, entrando em um estado de “hipervigilância” postural. O corpo passa a tentar controlar conscientemente o equilíbrio, um processo que deveria ser automático
O tratamento costuma envolver uma combinação de educação do paciente, reabilitação vestibular, manejo da ansiedade e, em alguns casos, medicamentos específicos.
Infelizmente, essa ainda é uma das doenças menos conhecidas pela população e até mesmo por profissionais não especializados, fazendo com que muitos pacientes convivam durante anos com sintomas sem receber um diagnóstico adequado.
Nem toda tontura vem do labirinto
Como você deve ter notado na descrição de algumas doenças no tópico anterior, embora as doenças do ouvido interno estejam entre as causas mais comuns de vertigem, é importante lembrar que nem toda tontura tem origem no labirinto.
Na medicina, a tontura é considerada um sintoma, e não uma doença. Isso significa que diferentes problemas de saúde podem produzir sensações semelhantes, mesmo quando afetam órgãos completamente distintos.
Em alguns casos, o paciente realmente apresenta uma alteração no sistema vestibular. Em outros, porém, a origem pode estar no sistema cardiovascular, no cérebro, em alterações metabólicas ou até mesmo em determinados medicamentos.
Por isso, uma avaliação cuidadosa é indispensável. O tratamento adequado depende, antes de tudo, da identificação da causa correta.
A seguir, conheça algumas situações que também podem provocar tontura e que, muitas vezes, acabam sendo confundidas com labirintite.
Problemas cardiovasculares
O coração e os vasos sanguíneos desempenham um papel essencial no fornecimento de oxigênio ao cérebro. Sempre que esse fluxo sofre alguma alteração, a sensação de tontura pode surgir.
Um exemplo bastante conhecido é a hipotensão postural, também chamada de hipotensão ortostática.
Nessa situação, a pressão arterial cai temporariamente quando a pessoa se levanta rapidamente após permanecer sentada ou deitada.
Em vez de uma vertigem, o paciente costuma relatar:
- escurecimento da visão;
- sensação de desmaio iminente;
- fraqueza;
- suor frio;
- melhora após alguns segundos.
Esse quadro é bastante diferente da vertigem provocada pelas doenças do labirinto, embora muitos pacientes utilizem a palavra “labirintite” para descrevê-lo.
Além da hipotensão, alterações do ritmo cardíaco, insuficiência cardíaca e outras doenças cardiovasculares também podem provocar episódios semelhantes.
Alterações metabólicas
Diversos problemas metabólicos podem comprometer temporariamente o funcionamento cerebral e produzir tontura.
Entre eles, estão:
- hipoglicemia;
- desidratação;
- anemia;
- alterações da tireoide;
- distúrbios dos eletrólitos, como sódio e potássio.
Nessas situações, a tontura normalmente faz parte de um conjunto maior de sintomas.
Dependendo da causa, o paciente também pode apresentar fadiga, fraqueza, palpitações, dificuldade de concentração ou mal-estar generalizado.
Por esse motivo, muitas vezes são necessários exames laboratoriais durante a investigação.
Doenças neurológicas
Embora sejam menos frequentes do que as doenças vestibulares, algumas alterações neurológicas também podem provocar tontura.
É importante destacar que nem toda tontura representa um problema grave no cérebro.
Entretanto, quando surge acompanhada de sintomas neurológicos importantes, ela merece avaliação médica imediata.
Alguns sinais de alerta incluem:
- dificuldade para falar;
- fraqueza em um lado do corpo;
- perda súbita da coordenação;
- visão dupla persistente;
- dificuldade importante para caminhar;
- alteração do nível de consciência.
Nessas situações, é fundamental procurar atendimento de urgência para descartar condições potencialmente graves, como um acidente vascular cerebral (AVC).
Felizmente, a grande maioria das pessoas que procura atendimento por tontura não apresenta esse tipo de problema, mas conhecer esses sinais ajuda a identificar situações que exigem rapidez na avaliação.
Medicamentos
Outra causa frequentemente esquecida são os próprios medicamentos.
Diversos remédios podem alterar temporariamente o equilíbrio ou reduzir a pressão arterial, favorecendo episódios de tontura.
Entre eles, podemos citar:
- anti-hipertensivos;
- sedativos;
- ansiolíticos;
- antidepressivos;
- anticonvulsivantes;
- determinados antibióticos.
Isso não significa que esses medicamentos devem ser interrompidos por conta própria. Não faça isso!
Caso exista suspeita de relação entre os sintomas e algum tratamento em uso, a conduta correta é conversar com o médico responsável, que poderá avaliar a necessidade de ajustes ou substituições.
Ansiedade pode causar tontura?
Essa é uma das perguntas mais frequentes nos consultórios. A resposta é sim, mas ela merece alguns esclarecimentos.
A ansiedade pode provocar diversos sintomas físicos reais, incluindo sensação de tontura, cabeça leve, instabilidade, dificuldade para respirar, palpitações e sensação de desmaio.
Entretanto, existe um erro bastante comum.
Alguns pacientes (e até médicos) assumem imediatamente que a causa é ansiedade, sem realizar uma investigação mais ampla, o que pode atrasar o diagnóstico de doenças subjacentes.
Ansiedade e tontura frequentemente interagem entre si. A tontura pode aumentar a ansiedade e a ansiedade pode aumentar a percepção da tontura.
Por isso, um bom tratamento costuma considerar tanto os aspectos físicos quanto os emocionais envolvidos.
Quais sintomas podem acompanhar a tontura?
Cada doença vestibular apresenta características próprias, mas alguns sintomas costumam aparecer com frequência durante as crises.
Entre os mais comuns estão:
- vertigem;
- sensação de instabilidade;
- náuseas;
- vômitos;
- dificuldade para caminhar;
- suor frio;
- sensação de ouvido tampado;
- zumbido;
- perda auditiva;
- sensibilidade ao movimento da cabeça.
Nem todos os pacientes apresentam todos esses sintomas.
Por exemplo, alguém com VPPB normalmente não apresenta perda auditiva.
Já um paciente com doença de Ménière frequentemente relata zumbido e diminuição da audição durante as crises.
Essa associação entre sintomas fornece pistas importantes para o diagnóstico.
Quando a tontura pode indicar uma emergência?
Na maioria das vezes, a tontura está relacionada a doenças benignas do sistema vestibular.
Mesmo quando as crises são muito intensas, isso não significa necessariamente que exista uma condição grave. Entretanto, algumas situações exigem avaliação médica imediata.
Procure atendimento de urgência se a tontura surgir acompanhada de:
- dificuldade para falar;
- fraqueza em um lado do corpo;
- perda súbita da visão;
- visão dupla persistente;
- dificuldade importante para caminhar sem apoio;
- dor de cabeça súbita e extremamente intensa;
- perda de consciência;
- convulsões;
- febre alta;
- dor intensa no peito;
- falta de ar importante.
Esses sintomas podem indicar doenças que necessitam de atendimento rápido.
Da mesma forma, tonturas persistentes, recorrentes ou progressivamente mais intensas também merecem investigação especializada, mesmo quando não representam uma emergência.
Como descobrir a verdadeira causa da tontura?
Essa talvez seja a pergunta mais importante de todo o artigo.
Infelizmente, não existe um único exame capaz de dizer automaticamente qual doença está provocando a tontura.
Ao contrário do que muitos imaginam, o diagnóstico costuma começar muito antes dos exames.
Ele começa com uma boa conversa, onde o médico especialista fará perguntas como:
- Quando a tontura começou?
- Quanto tempo dura cada crise?
- Ela aparece ao virar a cabeça?
- Existe zumbido?
- A audição muda durante os episódios?
- Houve gripe recentemente?
- Há histórico de enxaqueca?
- Existem fatores que pioram os sintomas?
O médico precisa entender detalhadamente como os sintomas começaram, quanto tempo duram, quais fatores desencadeiam as crises e se existem manifestações associadas, como zumbido, perda auditiva, dor de cabeça, náuseas ou dificuldade para caminhar.
Também é comum realizar testes simples no consultório para observar o equilíbrio, os movimentos dos olhos e a resposta do sistema vestibular a determinadas posições da cabeça. Em pacientes com suspeita de VPPB, por exemplo, manobras diagnósticas específicas podem reproduzir a vertigem e confirmar o diagnóstico.
Quando necessário, exames complementares ajudam a esclarecer o quadro. Entre os mais utilizados estão:
- audiometria;
- imitanciometria;
- videonistagmografia (VNG);
- vectoeletronistagmografia (VENG);
- video head impulse test (vHIT);
- potenciais miogênicos evocados vestibulares (VEMP);
- exames laboratoriais;
- ressonância magnética ou tomografia, quando há suspeita de doenças neurológicas ou outras condições específicas.
É importante destacar que esses exames não são solicitados para todos os pacientes. A escolha depende da hipótese diagnóstica levantada durante a avaliação clínica.
Embora os testes e exames sejam muito úteis para direcionar a investigação e descartar possibilidades, devo destacar que a maioria dos diagnósticos de tontura é clínico, ou seja, o mais importante é a interpretação do relato do paciente. Sendo assim, é fundamental ser o mais claro e honesto possível durante a consulta médica.
Qual é o médico que trata tontura?
Quando há suspeita de doenças do ouvido interno e do sistema vestibular, o profissional mais indicado é o médico otorrinolaringologista.
Dentro desta especialidade, alguns médicos possuem formação específica em otoneurologia, que é a especialidade dedicada ao estudo da audição, do equilíbrio e das doenças vestibulares.
Em determinadas situações, também podem participar do tratamento neurologistas, cardiologistas, fisioterapeutas especializados em reabilitação vestibular, psicólogos e outros profissionais.
Sendo assim, diante de um quadro de tontura, perda auditiva ou zumbido, o mais recomendável é procurar um otorrino, preferencialmente um otoneurologista. A depender das demandas da investigação ou da causa identificada, o médico poderá encaminhar o paciente adequadamente para outros profissionais de saúde.
Como é o tratamento da tontura?
Como já esclarecido, o tratamento da tontura depende da causa. Infelizmente, a crença de que “toda tontura é labirintite e pode ser tratada da mesma forma” alimenta um grande mercado de desinformação, especialmente na internet.
A seguir, trago os recursos e abordagens corretas que podem ser adotadas, de acordo com o diagnóstico do paciente. Confira!
Medicamentos
Os medicamentos podem desempenhar um papel importante, principalmente durante as crises agudas.
Dependendo do caso, podem ser utilizados remédios para controlar náuseas, vômitos, vertigem intensa, dor e inflamação.
Entretanto, esses medicamentos costumam aliviar os sintomas temporariamente. Em muitas doenças vestibulares, eles não resolvem a causa do problema.
Além disso, o uso prolongado de alguns supressores vestibulares pode até dificultar a compensação natural do cérebro, motivo pelo qual a automedicação deve ser evitada.
Manobras de reposicionamento
Como dito, nos pacientes com VPPB, o tratamento não depende de medicamentos. A principal abordagem consiste em manobras específicas realizadas pelo médico ou fisioterapeuta especializado.
Esses movimentos reposicionam os cristais deslocados dentro do labirinto, eliminando a causa da vertigem.
A manobra de Epley é a mais conhecida, mas existem outras técnicas indicadas conforme o canal semicircular afetado.
Na maioria dos pacientes, a melhora ocorre já na primeira sessão. Somente algumas pessoas podem necessitar repetir o procedimento.
Reabilitação vestibular
A reabilitação vestibular é uma modalidade de tratamento baseada em exercícios personalizados para estimular a adaptação do sistema nervoso.
Ela pode ser indicada em diversas situações, incluindo:
- neurite vestibular;
- doença de Ménière;
- tontura residual após crises;
- TPPP;
- idosos com alterações do equilíbrio;
- algumas doenças neurológicas.
Os exercícios são definidos individualmente após avaliação especializada.
O objetivo é estimular o cérebro a utilizar de forma mais eficiente as informações provenientes do ouvido interno, dos olhos e da propriocepção, reduzindo a sensação de tontura e melhorando o equilíbrio.
Hoje, a reabilitação vestibular é considerada uma das abordagens mais eficazes para tratamento de doenças vestibulares.
Mudanças no estilo de vida
Em algumas condições, determinados hábitos também influenciam o controle dos sintomas.
Dependendo do diagnóstico, o médico pode orientar medidas como:
- manter boa hidratação;
- dormir regularmente;
- controlar o estresse;
- evitar jejum prolongado;
- praticar atividade física de forma regular;
- reduzir fatores desencadeantes específicos.
Na enxaqueca vestibular, por exemplo, identificar gatilhos individuais pode fazer parte do tratamento.
Já na doença de Ménière, determinadas orientações alimentares podem contribuir para reduzir a frequência das crises.
“Labirintite” (tontura) tem cura?
Essa pergunta costuma preocupar bastante quem acabou de receber um diagnóstico relacionado à tontura. A resposta, como você já entendeu, depende da doença responsável pelos sintomas.
Na VPPB, por exemplo, muitos pacientes apresentam resolução completa após as manobras de reposicionamento.
Na neurite vestibular, é comum ocorrer recuperação progressiva graças à compensação realizada pelo cérebro, especialmente quando associada à reabilitação vestibular.
Já condições crônicas, como a doença de Ménière ou a enxaqueca vestibular, podem exigir acompanhamento prolongado e estratégias para controlar as crises, reduzindo seu impacto na qualidade de vida.
Independentemente do diagnóstico, quanto mais cedo a investigação é realizada, mais cedo é iniciado o tratamento e melhor tende a ser o prognóstico.
É possível prevenir crises de tontura?
Nem sempre as crises de tontura podem ser prevenidas. Entretanto, algumas medidas ajudam a preservar a saúde do sistema do equilíbrio e reduzir fatores que favorecem o aparecimento ou agravamento dos sintomas.
Entre elas estão:
- controlar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;
- manter alimentação equilibrada;
- praticar atividade física regularmente;
- dormir adequadamente;
- evitar tabagismo;
- moderar o consumo de álcool;
- tratar corretamente enxaquecas e outras doenças já diagnosticadas;
- procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes.
Também é importante evitar a automedicação.
Muitas pessoas utilizam medicamentos para “labirintite” repetidamente sem nunca investigar a verdadeira causa da tontura, adiando um diagnóstico que poderia mudar completamente o tratamento ou até resolver o problema imediatamente (como é o caso da VPPB).
Perguntas frequentes sobre labirintite e tontura
Para finalizar o guia, algumas perguntas e respostas básicas para dúvidas comuns sobre labirintite e tontura. Confira!
Labirintite e vertigem são a mesma coisa?
Não.
Labirintite é uma doença específica caracterizada por inflamação do labirinto. Já a vertigem é um tipo de tontura caracterizado pela falsa sensação de movimento. Diversas doenças podem provocar vertigem.
Toda tontura é causada pelo ouvido?
Não.
Embora as doenças vestibulares sejam causas frequentes, alterações cardiovasculares, neurológicas, metabólicas, medicamentos e outras condições também podem provocar tontura.
Ansiedade pode causar tontura?
Sim.
A ansiedade pode produzir sensação de instabilidade, cabeça leve e outros sintomas relacionados ao equilíbrio. Entretanto, ela também pode intensificar sintomas de doenças vestibulares já existentes que devem ser investigadas.
Quem tem labirintite pode praticar atividade física?
Na maioria dos casos, sim.
Após avaliação médica, a prática de exercícios costuma fazer parte da recuperação e pode contribuir para melhorar o equilíbrio. A recomendação varia conforme a doença e o estágio do tratamento.
Existe exame específico para labirintite?
Não existe um único exame capaz de diagnosticar todas as doenças vestibulares.
O diagnóstico depende da combinação entre história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares selecionados conforme cada caso.
Tontura sempre significa um problema grave?
Não.
A maioria dos episódios de tontura está relacionada a doenças benignas do sistema vestibular.
Entretanto, quando o sintoma surge acompanhado de dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, alteração importante da consciência ou outros sinais neurológicos, é fundamental procurar atendimento de urgência.
Conclusão
Poucos sintomas geram tanta insegurança quanto a tontura. A sensação de perder o equilíbrio, ver o ambiente girar ou caminhar como se o chão estivesse se movendo interfere diretamente na autonomia, no trabalho, nas atividades diárias e na qualidade de vida.
Apesar disso, um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pacientes continua sendo a simplificação excessiva do diagnóstico. É ainda senso comum batizar praticamente toda tontura com o nome de “labirintite”, criando a falsa impressão de que existe uma única doença responsável por sintomas que, na realidade, podem ter origens bastante diferentes.
Sabemos que, na realidade, a maioria dos pacientes sofre com condições como vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), enxaqueca vestibular, doença de Ménière, neurite vestibular e tontura postural perceptual persistente (TPPP), entre outras causas recorrentes.
Da mesma forma, é importante lembrar que nem toda tontura tem origem no ouvido interno. Alterações cardiovasculares, neurológicas e metabólicas, bem como o uso de determinados medicamentos também fazem parte da investigação.
Receber um diagnóstico preciso é o primeiro passo para um tratamento eficaz. A melhora pode ser transformadora quando a doença é identificada corretamente e acompanhada por um profissional com experiência em distúrbios do equilíbrio.
Se você convive com episódios recorrentes de tontura, vertigem, desequilíbrio ou outros sintomas relacionados, não se contente apenas com o rótulo de “labirintite”. Compreender a verdadeira causa do problema é essencial para definir o tratamento mais adequado e recuperar sua qualidade de vida.
Agende uma consulta com nossos especialistas!
A NP Balance é uma clínica médica especializada em otoneurologia, com uma equipe totalmente voltada para o tratamento de tontura e zumbido no ouvido.

Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



