Zumbido no ouvido

Zumbido no Ouvido: Causas, Tipos e Tratamento [2026]

Dra Nathália Prudencio
04/19/2026 · 22 min de leitura
Zumbido no ouvido

Zumbido no ouvido: causas, tipos, diagnóstico e tratamento completo

Aquele chiado que não para. O apito fino que aparece no silêncio da noite. A sensação de ter uma cigarra presa dentro da cabeça. Se você chegou até aqui, provavelmente sabe do que estou falando — e sabe também o quanto isso perturba.

O zumbido no ouvido, chamado de tinnitus na literatura médica, é a percepção de um som que não vem de nenhuma fonte externa. Ele pode se manifestar como chiado, apito, zunido, clique, rugido ou até uma pulsação rítmica. E não, você não está imaginando coisas: estima-se que cerca de 28 milhões de brasileiros convivam com algum grau desse sintoma, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Mas aqui vai um ponto que a maioria dos artigos ignora: o zumbido em si não é uma doença. É um sintoma. E como todo sintoma, ele está tentando dizer algo sobre o que acontece no seu corpo — ou, em muitos casos, na sua mente. Descobrir o que está por trás do barulho é o primeiro passo para silenciá-lo, ou ao menos aprender a conviver com ele de forma que não roube sua qualidade de vida.

Este guia foi escrito para funcionar como uma referência completa. Aqui você vai encontrar tudo o que precisa saber sobre o zumbido no ouvido: desde as causas mais comuns e os tipos de tinnitus até os exames de diagnóstico, os tratamentos com evidência científica e o que fazer quando o zumbido se torna insuportável. Vamos lá.

O que é zumbido no ouvido (Tinnitus)?

O zumbido no ouvido — também referido como tinnitus, acufeno ou tinido — é definido como a percepção consciente de um som na ausência de uma fonte sonora externa correspondente. Em termos mais simples: você ouve um barulho que ninguém ao redor consegue ouvir.

Esse som “fantasma” pode variar enormemente de pessoa para pessoa. Alguns descrevem como um apito agudo e contínuo. Outros relatam algo parecido com o ruído de um aparelho de TV fora do ar, o chiado de uma panela de pressão, o canto de uma cigarra ou até batidas ritmadas. A intensidade também oscila: pode ser algo que só se percebe em ambientes silenciosos ou pode ser um barulho tão alto que atrapalha conversas, o trabalho e o sono.

Dados publicados na revista JAMA Neurology indicam que o tinnitus afeta cerca de 14% da população mundial — o equivalente a aproximadamente 740 milhões de pessoas. No Brasil, os números são igualmente expressivos. Porém, é importante ressaltar que apenas uma parcela menor — entre 2% e 3% da população — relata o zumbido como um incômodo verdadeiramente significativo.

E existe uma distinção que poucos artigos fazem de forma clara: o zumbido pode ser subjetivo (percebido apenas pelo paciente) ou objetivo (detectável pelo médico através de instrumentos). Essa diferenciação muda completamente a investigação diagnóstica e o tratamento. Vamos explorar isso adiante.

Tipos de zumbido: Por que isso importa para o seu tratamento

Classificar o zumbido não é um exercício acadêmico — é uma etapa clínica que direciona todo o raciocínio diagnóstico. O tipo de zumbido que você tem oferece pistas valiosas sobre a sua causa.

Zumbido subjetivo

É o tipo mais comum, presente na grande maioria dos casos. Aqui, o som é percebido exclusivamente pelo paciente. Ninguém mais consegue ouvi-lo, nem o médico durante o exame. O zumbido subjetivo está quase sempre associado a algum grau de perda auditiva ou lesão nas células ciliadas do ouvido interno — mesmo quando a audiometria convencional ainda mostra resultados dentro dos limites normais.

Pense assim: quando as células responsáveis por captar determinadas frequências sofrem dano, o cérebro deixa de receber aquele sinal sonoro. Em resposta, o sistema auditivo central “compensa” essa ausência gerando um sinal próprio — o zumbido. É como um rádio tentando sintonizar uma estação que não existe mais.

Zumbido objetivo

Muito mais raro, o zumbido objetivo produz um som real que pode ser detectado pelo médico usando um estetoscópio ou equipamentos específicos. Ele geralmente está relacionado a alterações vasculares (fluxo sanguíneo turbulento perto do ouvido) ou espasmos musculares na região da orelha e da tuba auditiva.

Zumbido pulsátil

É um subtipo que merece atenção especial. O som acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos — como um “tum-tum-tum” sincronizado com o pulso. Esse padrão costuma indicar alterações no fluxo sanguíneo da região do ouvido, como estenoses arteriais, malformações vasculares ou hipertensão intracraniana. O zumbido pulsátil sempre exige investigação médica, pois pode estar relacionado a condições mais sérias.

Classificação por duração e lateralidade

Além do tipo, o zumbido também pode ser classificado conforme sua apresentação temporal e espacial. Ele pode ser agudo (presente há menos de 6 meses) ou crônico (persistente por mais de 6 meses). Pode afetar apenas um ouvido (unilateral) ou os dois (bilateral). E pode ser constante ou intermitente.

Zumbido unilateral persistente, especialmente quando acompanhado de perda auditiva em apenas um lado, é um sinal de alerta que merece investigação prioritária — pois pode estar associado a tumores benignos como o neurinoma do acústico (schwannoma vestibular).

Causas do zumbido no ouvido: O que está por trás do barulho

Existem mais de 200 causas documentadas para o zumbido no ouvido. Essa diversidade é justamente o que torna a investigação desafiadora — e o motivo pelo qual muitos pacientes passam por vários médicos antes de obter respostas satisfatórias. A seguir, as causas mais frequentes, organizadas por relevância clínica.

Perda auditiva (causa principal)

A perda auditiva é, de longe, o fator mais frequentemente associado ao zumbido. Estima-se que esteja presente em cerca de 90% dos casos crônicos. A perda pode ser causada pelo envelhecimento natural (presbiacusia), pela exposição prolongada a ruídos intensos, por infecções recorrentes ou por uso de medicamentos ototóxicos.

O mecanismo é relativamente direto: quando as células ciliadas do ouvido interno sofrem dano, o cérebro perde parte da informação sonora que recebia. O sistema nervoso auditivo central, então, aumenta sua “sensibilidade” para compensar — e esse aumento de ganho neural é o que gera a percepção do zumbido.

Esse conceito é fundamental porque explica por que o tratamento com aparelhos auditivos funciona tão bem em muitos casos: ao restaurar a entrada sonora perdida, o cérebro diminui a compensação e o zumbido recua.

Exposição a ruídos intensos

Ambientes de trabalho barulhentos (construção civil, indústria, salões de beleza), shows, uso prolongado de fones de ouvido em volume alto — tudo isso pode lesar as células ciliadas do ouvido interno. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a exposição contínua a sons não ultrapasse 70 decibéis. Para referência: uma conversa normal fica entre 50 e 60 dB; um show de rock pode ultrapassar 110 dB. Acima de 85 dB, a exposição por mais de 8 horas já representa risco real de dano auditivo.

O zumbido causado por ruído pode ser temporário — aquele apito que surge depois de um show e desaparece em horas ou dias. Mas se a exposição for repetida ou muito intensa, a lesão se torna permanente.

Acúmulo de cerume (Cera no ouvido)

Parece banal, mas é uma das causas mais comuns — e uma das mais fáceis de resolver. O excesso de cera pode obstruir o canal auditivo, gerar pressão contra a membrana timpânica e provocar zumbido, sensação de ouvido tampado e até perda auditiva temporária. A remoção adequada por um profissional costuma resolver o problema imediatamente.

Um alerta importante: nunca use cotonetes ou objetos pontiagudos para tentar limpar o ouvido. Isso empurra a cera para dentro, aumenta o risco de lesão no tímpano e pode piorar significativamente o quadro.

Infecções no ouvido

Otites (infecções do ouvido externo, médio ou interno) podem causar acúmulo de líquido, alterações de pressão e inflamação que desencadeiam o zumbido. Outros sintomas associados incluem dor, febre, sensação de pressão e, em casos mais graves, secreção purulenta. O tratamento da infecção — com antibióticos quando bacteriana — geralmente resolve o zumbido.

Disfunção da articulação temporomandibular (ATM/DTM)

A articulação que conecta a mandíbula ao crânio fica anatomicamente muito próxima do ouvido. Quando há disfunção nessa articulação — causada por bruxismo, má oclusão dentária, estresse ou trauma —, os sintomas podem incluir dor na mandíbula, estalos ao abrir a boca, dor de cabeça e, sim, zumbido no ouvido. O tratamento envolve odontologia, fisioterapia e, em alguns casos, uso de placa oclusal noturna.

Alterações metabólicas e cardiovasculares

Condições sistêmicas como diabetes, hipertensão arterial, alterações na tireoide, colesterol elevado e dislipidemia podem afetar a microcirculação do ouvido interno e contribuir para o surgimento ou agravamento do zumbido. Nesses casos, o controle da doença de base é parte essencial do tratamento.

Medicamentos ototóxicos

Alguns medicamentos possuem efeito nocivo sobre as estruturas do ouvido. Entre eles, estão certos antibióticos (aminoglicosídeos), anti-inflamatórios não esteroidais, diuréticos de alça, quimioterápicos à base de cisplatina e até doses elevadas de aspirina. Se o zumbido surgir após o início de uma medicação, é fundamental comunicar ao médico para avaliar a necessidade de substituição.

Alterações na coluna cervical e problemas posturais

Tensão muscular excessiva na região do pescoço e da nuca, hérnias de disco cervicais e problemas posturais podem contribuir para o zumbido — especialmente quando o som muda de intensidade conforme a posição da cabeça ou pescoço. Esse mecanismo envolve conexões neurais entre a coluna cervical e os núcleos auditivos do tronco encefálico.

Fatores emocionais: estresse, ansiedade e depressão

A relação entre o zumbido e a saúde mental merece um olhar atento. Estudos mostram que até 59% dos pacientes com zumbido apresentam algum grau de desequilíbrio emocional — e que a ansiedade e a depressão podem tanto desencadear quanto agravar o sintoma.

O mecanismo envolve o sistema límbico (responsável pelas emoções) e o córtex auditivo. Em estados de ansiedade elevada, o cérebro entra em “modo alerta” e amplifica todos os sinais sensoriais — incluindo o zumbido. Cria-se, então, um ciclo vicioso: o zumbido gera ansiedade, que amplifica a percepção do zumbido, que gera mais ansiedade.

Por isso, o tratamento do zumbido frequentemente exige abordagem multidisciplinar, envolvendo otorrinolaringologia, psicologia e, em alguns casos, psiquiatria.

Tumores e causas neurológicas

Embora raros, tumores como o neurinoma do acústico (schwannoma vestibular) — um tumor benigno do nervo auditivo — podem causar zumbido unilateral progressivo, acompanhado de perda auditiva em um lado e dificuldade de equilíbrio. Esses casos requerem exames de imagem (ressonância magnética) para diagnóstico.

Zumbido no ouvido ao deitar: Por que piora à noite?

Uma queixa extremamente comum — e que gera muita angústia — é a sensação de que o zumbido piora quando a pessoa se deita para dormir. Na maioria das vezes, o som não está realmente mais alto. O que muda é o contexto.

Durante o dia, o ambiente está repleto de estímulos sonoros que competem com o zumbido: conversas, trânsito, música, ventiladores. À noite, no silêncio do quarto, o cérebro não tem outros sons para processar — e o zumbido se torna o protagonista da sua atenção auditiva.

Além disso, a posição deitada pode alterar levemente a circulação sanguínea na região da cabeça e do pescoço, o que pode intensificar o zumbido de origem vascular. Se o seu zumbido ao deitar tem características pulsáteis (acompanha o batimento cardíaco), vale investigar causas circulatórias com o seu médico.

Algumas estratégias práticas para lidar com isso incluem: usar sons ambientes (ventilador, aplicativo de ruído branco ou sons da natureza), manter um aparelho de som com volume baixo no quarto e estabelecer uma rotina de relaxamento antes de dormir.

Quando o zumbido no ouvido é perigoso? Sinais de alerta

A grande maioria dos casos de zumbido é benigna e não representa risco de vida. Mas existem situações que merecem atenção médica urgente. Saiba reconhecer os sinais de alerta:

  • Zumbido unilateral de início recente: pode indicar neurinoma do acústico ou outra lesão do nervo auditivo
  • Zumbido pulsátil: deve ser investigado para descartar alterações vasculares, malformações ou, raramente, tumores vasculares
  • Perda auditiva súbita associada ao zumbido: é uma emergência otológica — o tratamento nas primeiras 48 a 72 horas melhora significativamente o prognóstico
  • Zumbido acompanhado de vertigem intensa, náuseas e vômitos: pode indicar Doença de Ménière ou labirintite aguda
  • Zumbido após trauma craniano: requer avaliação neurológica para descartar lesões cerebrais
  • Zumbido com dor forte, febre ou secreção no ouvido: sugere infecção que precisa de tratamento imediato

Se você apresenta qualquer um desses cenários, procure um otoneurologista ou um pronto-socorro o mais rápido possível.

Diagnóstico do zumbido: Como o médico investiga

O diagnóstico do zumbido é essencialmente clínico — começa com uma boa conversa. O médico otorrinolaringologista (preferencialmente um otoneurologista, que é o especialista em zumbido e tontura) vai querer saber detalhes sobre o seu sintoma: quando começou, como é o som, em qual ouvido ocorre, se é constante ou intermitente, o que piora e o que melhora, se há outros sintomas associados e quais medicamentos você usa.

A partir daí, uma série de exames pode ser solicitada:

Audiometria

É o exame mais importante na investigação inicial. Avalia a capacidade auditiva em diferentes frequências e intensidades. Mesmo perdas auditivas leves — que o paciente nem percebe no dia a dia — podem ser a causa do zumbido.

Imitanciometria (Timpanometria)

Avalia o funcionamento do ouvido médio, incluindo a mobilidade do tímpano e a pressão na orelha média. Útil para identificar otites secretoras, disfunção da tuba auditiva e otosclerose.

Emissões otoacústicas (EOA)

Avalia a integridade das células ciliadas externas do ouvido interno. Pode detectar danos que ainda não aparecem na audiometria convencional — um achado comum em pacientes com zumbido e audiometria “normal”.

Acufenometria

Um exame específico para zumbido que tenta identificar a frequência e a intensidade do som percebido pelo paciente. Ajuda no planejamento da terapia sonora.

Exames de imagem

A ressonância magnética é indicada principalmente nos casos de zumbido unilateral ou assimétrico para descartar tumores. A tomografia computadorizada pode ser útil para avaliar as estruturas ósseas do ouvido. A angiotomografia ou angioressonância podem ser solicitadas em casos de zumbido pulsátil para avaliar os vasos sanguíneos.

Exames laboratoriais

Análises de sangue podem identificar fatores metabólicos associados ao zumbido, como diabetes (glicemia de jejum, hemoglobina glicada), alterações tireoidianas (TSH, T4 livre), colesterol e triglicerídeos elevados, anemia e deficiências de vitaminas (B12, zinco).

Tratamento para zumbido no ouvido: O que funciona de verdade

Eis uma verdade que precisa ser dita com clareza: não existe, até o momento, uma pílula mágica que cure o zumbido. A busca por soluções rápidas leva muitas pessoas a cair em golpes — desde “suplementos naturais milagrosos” até cápsulas sem registro na ANVISA vendidas por anúncios enganosos na internet.

O que existe — e funciona — é um conjunto de abordagens terapêuticas que, combinadas e personalizadas para cada caso, podem reduzir significativamente a percepção do zumbido e melhorar a qualidade de vida. Conheça as principais:

Aparelhos auditivos

Para pacientes com perda auditiva associada ao zumbido, o uso de aparelhos de amplificação sonora é uma das intervenções mais eficazes. Ao restaurar os sons que o ouvido perdeu, o cérebro diminui o “ganho neural” excessivo e o zumbido perde intensidade. Muitos aparelhos modernos possuem geradores de sons integrados que potencializam o alívio.

Terapia de retreinamento do zumbido (TRT)

Desenvolvida nos anos 1990 pelo neurocientista Pawel Jastreboff, a TRT é uma das abordagens com melhor nível de evidência. Ela combina aconselhamento terapêutico (psicoeducação sobre o zumbido) com terapia sonora (uso de geradores de som de banda larga). O objetivo não é eliminar o zumbido, mas “retreinar” o cérebro para classificá-lo como um som neutro — algo que você percebe mas que não incomoda mais, como o barulho do ar-condicionado. O tratamento costuma durar de 12 a 24 meses.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A TCC é particularmente eficaz para pacientes cuja qualidade de vida é fortemente impactada pelo zumbido. Ela não age no som em si, mas na forma como o paciente reage a ele. Através de técnicas estruturadas, o terapeuta ajuda o paciente a identificar e modificar pensamentos catastróficos (“nunca vou melhorar”, “vou enlouquecer com esse barulho”) e a desenvolver estratégias de enfrentamento mais adaptativas.

Estudos publicados em periódicos como o Cochrane Database of Systematic Reviews confirmam que a TCC reduz de forma consistente o impacto funcional do zumbido — inclusive em pacientes que não responderam a outros tratamentos.

Terapia sonora e mascaramento

Utiliza sons externos — ruído branco, sons da natureza, músicas suaves — para reduzir a proeminência do zumbido. Pode ser feita por meio de aplicativos, dispositivos específicos ou até caixas de som ambientes. Não é uma cura, mas oferece alívio imediato e contribui para a habituação a longo prazo.

Tratamento medicamentoso

Nenhum medicamento foi aprovado especificamente para tratar o zumbido. No entanto, tratar condições associadas pode melhorar o quadro. Vasodilatadores como betaistina podem ser úteis em casos específicos. Antidepressivos e ansiolíticos podem ser indicados quando há transtornos de humor associados. Anti-hipertensivos, antidiabéticos e medicamentos para tireoide são necessários quando o zumbido está ligado a essas doenças.

Qualquer medicação deve ser prescrita e acompanhada por um médico. Automedicação pode piorar o quadro.

Tratamento de causas específicas

Quando a causa é identificável e tratável, a resolução costuma ser direta: remoção de cera, tratamento de infecção com antibióticos, cirurgia para otosclerose, tratamento odontológico para DTM, correção de alterações metabólicas, entre outros.

Mudanças no estilo de vida

Embora não substituam o tratamento médico, algumas mudanças podem fazer diferença significativa no manejo do zumbido:

  • Reduzir o consumo de cafeína, álcool e sal em excesso
  • Abandonar o tabagismo
  • Praticar atividade física regularmente
  • Melhorar a qualidade do sono
  • Gerenciar o estresse com técnicas de relaxamento, meditação ou mindfulness
  • Evitar ambientes com ruído excessivo e usar proteção auditiva quando necessário

Zumbido no ouvido tem cura?

A resposta depende da causa. Quando o zumbido está ligado a um fator reversível — como acúmulo de cera, uma infecção tratável, efeito colateral de um medicamento ou uma disfunção metabólica corrigível — sim, ele pode desaparecer completamente com o tratamento adequado.

No entanto, quando o zumbido é crônico e está associado a perda auditiva neurossensorial irreversível, a “cura” no sentido de eliminar completamente o som é, na maioria dos casos, improvável com os recursos atuais. Mas isso não significa que o paciente está condenado a sofrer. Os tratamentos modernos — TRT, TCC, aparelhos auditivos, terapia sonora — permitem que a grande maioria dos pacientes alcance um estado em que o zumbido deixa de ser um problema significativo.

A pesquisa científica avança continuamente. Terapias como neuromodulação, estimulação magnética transcraniana e até terapias gênicas estão em estudo. O futuro é promissor — mas, por enquanto, a melhor atitude é buscar diagnóstico preciso e tratamento baseado em evidências.

O que NÃO funciona: Cuidado com golpes e promessas falsas

O desespero de quem convive com zumbido crônico cria um mercado fértil para charlatanismo. É preciso ter clareza: não existe cura natural, remédio caseiro ou suplemento que cure o zumbido no ouvido. Cápsulas vendidas na internet como “solução definitiva” são, na grande maioria, suplementos genéricos sem registro na ANVISA, sem comprovação científica e com risco de efeitos adversos.

Isso não significa que práticas complementares como meditação, yoga ou acupuntura não possam oferecer algum benefício — especialmente no manejo do estresse associado ao zumbido. Mas elas devem ser encaradas como complementos, nunca como substitutas do acompanhamento médico.

Desconfie de qualquer produto ou tratamento que prometa cura rápida, definitiva e sem necessidade de consulta médica. E, se ficar na dúvida, consulte seu médico antes de investir tempo e dinheiro em algo que pode fazer mais mal do que bem.

O impacto do zumbido na qualidade de vida

O zumbido crônico não é “apenas um barulhinho”. Quando intenso e persistente, ele pode comprometer profundamente a vida do paciente. Estudos mostram que metade dos pacientes com zumbido relatam distúrbios do sono. Quase 44% apresentam dificuldade de concentração. Cerca de 59% reportam algum grau de desequilíbrio emocional. E 14% têm suas atividades sociais prejudicadas.

Em casos mais graves, o zumbido está associado a ideação suicida — o que reforça a necessidade de levar o sintoma a sério e buscar ajuda especializada. A abordagem terapêutica deve incluir, sempre que necessário, suporte psicológico ou psiquiátrico.

Se você sente que o zumbido está afetando sua saúde mental, não espere. Procure ajuda.

Qual médico procurar para zumbido no ouvido

O especialista de referência para investigação e tratamento do zumbido é o otoneurologista. Dentro dessa especialidade, existe uma subespecialidade chamada otoneurologia, que se dedica especificamente ao estudo e tratamento de zumbido, tontura e distúrbios do equilíbrio.

Dependendo da causa identificada, outros profissionais podem ser envolvidos: fonoaudiólogos (para reabilitação auditiva e terapia sonora), dentistas (para disfunção temporomandibular), psicólogos ou psiquiatras (para manejo de ansiedade e depressão associadas), fisioterapeutas (para problemas cervicais) e endocrinologistas ou cardiologistas (para alterações metabólicas e cardiovasculares).

A abordagem multidisciplinar é, na prática, o padrão-ouro para o tratamento do zumbido crônico.

Perguntas frequentes sobre zumbido no ouvido

O zumbido no ouvido pode ser causado por ansiedade?

A ansiedade raramente é a causa isolada do zumbido, mas funciona como um gatilho poderoso e como fator agravante. Em estados ansiosos, o cérebro amplifica a percepção de estímulos sensoriais — incluindo o zumbido. Além disso, o zumbido pode gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso que precisa ser abordado de forma integrada, com tratamento otorrinolaringológico e, quando necessário, suporte psicológico.

Colocar alho, azeite ou chá no ouvido resolve o zumbido?

Não. Essas práticas não possuem nenhuma comprovação científica e podem causar danos ao ouvido, como infecções, reações alérgicas ou até perfuração do tímpano. O sintoma de zumbido deve ser avaliado e tratado por um médico otoneurologista.

O zumbido no ouvido pode causar surdez?

O zumbido em si não causa surdez. Porém, ele frequentemente está associado a condições que levam à perda auditiva — como a exposição a ruídos intensos e o envelhecimento. Tratar a causa do zumbido precocemente pode ajudar a preservar a audição.

Existe remédio para curar o zumbido no ouvido?

Até o momento, nenhum medicamento com ação direta sobre o zumbido teve sua eficácia comprovada cientificamente. No entanto, medicamentos para tratar as causas associadas (infecções, hipertensão, diabetes, ansiedade) podem levar à melhora do sintoma. O tratamento mais eficaz combina abordagens como aparelhos auditivos, terapia sonora e terapia cognitivo-comportamental.

O uso de fones de ouvido pode causar zumbido?

Sim, quando utilizados em volume alto e por períodos prolongados. A exposição a sons acima de 85 decibéis pode danificar as células ciliadas do ouvido interno, resultando em zumbido e, eventualmente, perda auditiva. A recomendação é manter o volume abaixo de 60% da capacidade máxima e limitar o uso contínuo a, no máximo, 60 minutos seguidos.

Zumbido no ouvido que aparece e desaparece é normal?

Zumbidos esporádicos e de curta duração são relativamente comuns e geralmente não indicam problemas graves. Podem ocorrer após exposição a ruídos, em momentos de estresse ou fadiga. No entanto, se o zumbido se tornar frequente, persistir por mais de uma semana ou vier acompanhado de outros sintomas (perda auditiva, tontura, dor), é importante buscar avaliação médica.

Qual a diferença entre zumbido e labirintite?

O zumbido é a percepção de um som sem fonte externa — é um sintoma auditivo. A labirintite, por sua vez, é uma inflamação do labirinto (estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio), cujos principais sintomas são tontura, vertigem e náuseas. Embora possam ocorrer juntos — especialmente em doenças como a Doença de Ménière —, são condições distintas que requerem investigação e tratamentos diferentes.

Resumo: O que fazer se você tem zumbido no ouvido

Se o zumbido é algo novo para você, persistente ou acompanhado de outros sintomas, o caminho é claro: procure um otoneurologista para investigação. Não se automedique, não recorra a “curas naturais” sem orientação profissional e, acima de tudo, não ignore o sintoma esperando que passe sozinho.

Se o zumbido já faz parte da sua vida há algum tempo e você sente que ele afeta sua rotina, saiba que existem tratamentos eficazes disponíveis. A combinação de diagnóstico preciso, tratamento adequado das causas e estratégias de habituação permite que a grande maioria dos pacientes alcance uma qualidade de vida significativamente melhor.

Você não precisa conviver calado com o barulho. Busque ajuda.

Sobre o autor

Dra Nathália Prudencio

Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.

Ver todos os artigos

Sofre com Zumbido no ouvido ou Tontura?

Agende sua Consulta