Tontura

Remédio para labirintite: quais medicamentos podem ser usados para tratar a tontura?

Dra Nathália Prudencio
08/18/2026 · 7 min de leitura
Visão de pessoa prestes a tomar remédios, com comprimidos em uma mão e um copo de água em outra. Remédio para labirintite

Não existe um remédio universal para labirintite (tontura), pois o tratamento depende da sua causa subjacente. Nem todos os quadros precisam de medicamentos e o uso de qualquer substância, mesmo as ditas naturais, deve ser orientado por um médico.

Ao buscar por “remédio para labirintite”, imagino que esteja, na verdade, procurando uma solução prática para episódios de tontura, vertigem ou desequilíbrio. Acertei?

Popularmente, o termo “labirintite” acabou se tornando sinônimo de qualquer tipo de tontura, mas, do ponto de vista médico, a labirintite é a inflamação ou infecção do labirinto, uma condição bastante rara.

Na realidade, diversas doenças e condições podem provocar tontura, e cada uma delas exige uma abordagem diferente. Por isso, não existe um único remédio capaz de tratar todos os casos.

Neste artigo, você vai entender quais medicamentos costumam ser utilizados, quando eles realmente são indicados e por que o diagnóstico correto é tão importante. Siga a leitura!

Existe remédio específico para labirintite (tontura)?

Não. Não existe um medicamento específico que seja eficaz para todos os tipos de tontura. A tontura é um sintoma, e não uma doença.

Ela pode ser causada por diversas condições, como:

  • vertigem posicional paroxística benigna (VPPB);
  • enxaqueca vestibular;
  • doença de Ménière;
  • neurite vestibular;
  • labirintite (inflamação do labirinto);
  • distúrbios metabólicos;
  • alterações cardiovasculares;
  • alguns medicamentos;
  • ansiedade e outras condições neurológicas.

Cada uma dessas causas possui tratamentos diferentes. Em alguns casos, medicamentos são fundamentais. Em outros, eles têm pouca utilidade ou podem até atrasar a recuperação quando utilizados de forma inadequada.

Quais são os principais remédios para labirintite?

Os medicamentos utilizados variam conforme o diagnóstico e os sintomas apresentados pelo paciente.

Ressalto que nem sempre eles serão necessários, mas em muitos quadros podemos lançar mão de alguns fármacos, principalmente para alívio ou prevenção de crises. Listo os principais, a seguir.

Antivertiginosos

São alguns dos medicamentos mais conhecidos entre quem sofre com crises de vertigem.

Seu principal objetivo é reduzir a sensação de movimento, melhorando o conforto durante a fase aguda.

Alguns exemplos incluem:

  • betaistina
  • flunarizina (em situações específicas);
  • cinarizina.

É importante lembrar que esses medicamentos possuem indicações próprias e nem sempre são a melhor escolha para todos os pacientes.

Anti-histamínicos

Os anti-histamínicos vestibulares também são bastante utilizados para aliviar crises intensas de tontura e náuseas.

Entre os mais conhecidos estão:

  • dimenidrinato (Dramin);
  • meclizina;
  • prometazina.

Eles costumam ser prescritos principalmente durante crises agudas, quando o paciente apresenta vertigem intensa acompanhada de enjoo.

Alguns deles podem provocar sonolência, por isso o uso deve seguir orientação médica.

Medicamentos específicos para náuseas e vômitos

Quando a tontura vem acompanhada de vômitos importantes, o médico também pode prescrever medicamentos específicos para controlar esses sintomas.

O objetivo é evitar desidratação e permitir que o paciente consiga se alimentar e manter o tratamento adequado.

Corticoides

Em algumas doenças vestibulares inflamatórias, como em determinados casos de neurite vestibular, os corticoides podem ser indicados.

Nessas situações, o objetivo é reduzir a inflamação e favorecer a recuperação da função vestibular.

Entretanto, eles não fazem parte do tratamento de toda tontura e jamais devem ser utilizados por conta própria.

Antibióticos

Os antibióticos são utilizados apenas quando existe confirmação ou forte suspeita de uma infecção bacteriana, e devem ser sempre usados sob orientação médica. 

Como a maioria dos quadros de tontura não possui essa causa, seu uso sem prescrição costuma ser desnecessário e até prejudicial.

Nem toda tontura precisa de remédio

Esse é um dos pontos mais importantes. Em grande parte dos casos, o tratamento da tontura não requer medicamentos, por mais que isso soe estranho para muitas pessoas.

Manobras de reposicionamento

A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é uma das causas mais frequentes de vertigem.

Nela, o tratamento é realizado por meio de manobras de reposicionamento, como a Manobra de Epley, que retornam os pequenos cristais do ouvido interno para o seu local de origem, melhorando os sintomas.

A maioria dos pacientes sente melhora no primeiro atendimento. Somente alguns precisam retornar para repetir o procedimento ou investigar outras causas associadas.

Reabilitação vestibular

Pacientes com determinadas causas de tontura persistente, especialmente aqueles com hipofunção vestibular e dificuldade de compensação, podem se beneficiar muito da reabilitação vestibular.

Por meio de exercícios específicos, o cérebro aprende a compensar alterações do sistema vestibular, reduzindo sintomas como desequilíbrio, instabilidade e sensação de movimento.

Em muitos casos, essa abordagem proporciona melhora mais duradoura do que o uso contínuo de medicamentos.

Existe remédio natural para labirintite?

Muitas pessoas procuram alternativas naturais, como chás, suplementos ou receitas caseiras.

Embora algumas práticas possam contribuir para o bem-estar geral, não existem evidências científicas robustas de que remédios naturais sejam capazes de tratar, sozinhos, as principais doenças que provocam tontura.

Além disso, algumas substâncias naturais também podem causar efeitos colaterais ou interagir com medicamentos de uso contínuo.

Sempre converse com seu médico antes de iniciar qualquer tratamento alternativo!

Quando procurar um médico?

Toda tontura persistente, recorrente ou intensa merece avaliação médica, preferencialmente com um otoneurologista, o médico especialista nesse tipo de sintoma.

Também é importante buscar atendimento imediato quando a tontura vier acompanhada de sintomas como:

  • fraqueza em um lado do corpo;
  • dificuldade para falar;
  • visão dupla;
  • perda importante da audição;
  • dor de cabeça intensa e súbita;
  • dificuldade para caminhar;
  • perda de consciência.

Esses sinais podem indicar condições que necessitam de atendimento urgente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa por uma conversa detalhada sobre os sintomas. O médico precisa saber exatamente o que o paciente está sentindo, como:

  • se a tontura é uma sensação de giro ou desequilíbrio;
  • a duração das crises;
  • fatores que desencadeiam os sintomas;
  • se há presença de zumbido e perda auditiva;
  • se há náuseas;
  • se o paciente tem histórico de enxaqueca;
  • se usa medicamentos;
  • e se há outras doenças existentes.

Em seguida, o médico realiza um exame físico direcionado, que pode incluir testes vestibulares e neurológicos.

Quando necessário, exames complementares, como audiometria, exames vestibulares ou exames de imagem, ajudam a esclarecer o diagnóstico.

Essa investigação é o que permite indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.

Em alguns casos, os medicamentos serão fundamentais. Em outros, deveremos adotar outras abordagens, como a realização de manobras de reposicionamento e a reabilitação vestibular. Também devemos levar em conta fatores associados e as necessidades individuais de cada paciente.

Se você sofre com labirintite (tontura), não espere mais!

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Sobre o autor

Dra Nathália Prudencio

Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.

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