O aparelho auditivo não cura o zumbido. Quando existe perda auditiva, ele amplifica os sons externos e melhora a audição, o que pode tornar o zumbido menos perceptível e incômodo, além de estimular a neuroplasticidade. Por isso, sua indicação depende de uma avaliação auditiva individualizada.
Quem convive com um apito ou chiado constante pode encontrar anúncios de “aparelho auditivo para zumbido” e imaginar que existe um dispositivo capaz de simplesmente desligar esse som. Não é exatamente assim.
O aparelho auditivo não cura o zumbido. Sua principal função é corrigir funcionalmente a perda auditiva. Quando perda auditiva e zumbido estão associados, porém, essa melhora da audição pode também reduzir a intensidade, percepção e o incômodo provocado pelo zumbido.
Essa diferença é fundamental para compreender por que os aparelhos ajudam alguns pacientes, mas não são indicados para todas as pessoas que apresentam zumbido.
Continue a leitura para saber mais.
Aparelho auditivo ajuda no zumbido?
Sim, o aparelho auditivo pode ajudar no zumbido quando existe perda auditiva associada e indicação para amplificação sonora.
O zumbido é muito comum entre pessoas que apresentam algum grau de perda auditiva. Quando ouvimos menos determinadas frequências, também recebemos menos informações sonoras provenientes do ambiente.
O aparelho auditivo é adaptado para corrigir essa deficiência, amplificando os sons de acordo com as características da perda auditiva de cada paciente.
Como consequência, a pessoa volta a perceber sons ambientais que antes estavam reduzidos, diminuindo a percepção do zumbido. Além disso, o aumento da estimulação do cérebro e do tronco encefálico pode, por neuroplasticidade (capacidade natural do cérebro de modificar suas conexões ao longo do tempo), promover uma melhora parcial do sintoma.
Sendo assim, o aparelho não está eliminando diretamente a origem do zumbido. Ele está tratando a perda auditiva e, por extensão, pode favorecer a melhora do sintoma.
Qual é a relação entre perda auditiva e zumbido?
Perda auditiva e zumbido estão frequentemente associados.
Quando existe uma redução da informação sonora que chega ao cérebro, nosso sistema auditivo pode sofrer mudanças na maneira como processa esses estímulos. Essas alterações são consideradas um dos mecanismos envolvidos no aparecimento do zumbido em muitos pacientes.
É possível, inclusive, que uma pessoa apresente uma perda auditiva sem perceber claramente que está ouvindo menos.
Isso acontece principalmente quando a alteração é leve ou afeta determinadas frequências. O paciente pode procurar atendimento devido ao zumbido e descobrir a perda auditiva durante a investigação.
Por esse motivo, a avaliação auditiva é uma etapa importante para muitas pessoas com zumbido.
Como o aparelho auditivo pode melhorar o zumbido?
Existem diferentes mecanismos que ajudam a explicar esse benefício.
Aumenta a percepção dos sons externos
Imagine uma pessoa com perda auditiva sentada em uma varanda.
O canto dos pássaros, o movimento das folhas, conversas distantes e outros pequenos sons ambientais podem estar reduzidos devido à dificuldade auditiva. Nesse contexto, o zumbido pode ocupar uma posição de destaque.
Ao utilizar o aparelho, parte desses sons volta a ser percebida com maior facilidade.
O cérebro passa a receber mais informações do ambiente e o contraste entre o zumbido e os demais sons diminui.
Reduz o destaque dado ao zumbido
Quando existe pouco estímulo externo, o zumbido pode parecer mais evidente.
É o mesmo motivo pelo qual muitas pessoas relatam perceber o zumbido com maior intensidade à noite: o ambiente fica mais silencioso e o som interno ganha destaque.
A amplificação proporcionada pelo aparelho auditivo pode reduzir esse contraste durante o dia.
Isso não significa necessariamente que a intensidade física do zumbido tenha diminuído, o que muda é a sua percepção e relevância.
Melhora a comunicação
Precisar fazer esforço constantemente para compreender conversas pode ser cansativo e frustrante.
Ao melhorar a capacidade de ouvir e compreender a fala, o aparelho auditivo também pode diminuir parte desse esforço e permitir que o paciente volte a se envolver mais naturalmente nas atividades cotidianas.
O foco deixa de permanecer tão direcionado para a dificuldade auditiva e para o próprio zumbido.
Neuroplasticidade
Como dito, o aumento contínuo de estímulos pode estimular a neuroplasticidade e favorecer a adaptação do cérebro ao sintoma, promovendo habituação ou melhora real parcial do incômodo.
A neuroplasticidade, porém, é um fenômeno lento e gradual cujos benefícios só podem ser observados no longo prazo.
O aparelho auditivo cura o zumbido?
Não. O aparelho auditivo não deve ser apresentado como uma cura para o zumbido.
Sua função principal é proporcionar amplificação para corrigir funcionalmente a perda auditiva.
A melhora do zumbido é um benefício que pode ocorrer como consequência dessa reabilitação auditiva.
Isso também explica por que algumas pessoas percebem novamente o zumbido quando retiram o aparelho, principalmente em ambientes silenciosos. Sem a amplificação, os sons externos voltam a ficar reduzidos e o contraste com o zumbido pode aumentar.
Além disso, os resultados variam. Algumas pessoas apresentam uma melhora bastante perceptível do incômodo, enquanto outras obtêm principalmente benefícios relacionados à audição.
O tratamento deve ter expectativas realistas desde o início.
Quem tem zumbido precisa usar aparelho auditivo?
Não. Ter zumbido, isoladamente, não significa que uma pessoa precise usar aparelho auditivo.
A indicação depende principalmente da existência e das características da perda auditiva.
Se a pessoa apresenta zumbido, mas sua avaliação não demonstra perda auditiva que justifique amplificação, simplesmente utilizar um aparelho auditivo não é a solução.
Nesses casos, é necessário investigar outras possíveis causas e definir estratégias de tratamento adequadas ao quadro.
O zumbido pode estar relacionado a diversas condições, e é justamente por isso que não existe um único tratamento adequado para todos os pacientes.
Existe aparelho auditivo específico para zumbido?
Existem aparelhos auditivos que, além da amplificação, oferecem recursos adicionais voltados para o manejo do zumbido.
Alguns modelos possuem geradores de sons que podem ser configurados como parte de uma estratégia de terapia sonora. Esses recursos produzem estímulos que ajudam a diminuir o contraste e a atenção direcionada ao zumbido.
Entretanto, isso não transforma o dispositivo em um “aparelho que cura zumbido”.
Quando existe perda auditiva, o ponto de partida continua sendo uma adaptação adequada às necessidades auditivas do paciente. Recursos adicionais podem ser utilizados quando fazem sentido dentro da estratégia terapêutica.
Qual é o melhor aparelho auditivo para quem tem zumbido?
Não existe um modelo que possa ser considerado o melhor aparelho auditivo para todas as pessoas com zumbido.
A escolha depende de fatores como:
- tipo e grau da perda auditiva;
- frequências afetadas;
- compreensão da fala;
- anatomia do ouvido;
- rotina e necessidades de comunicação;
- conforto e adaptação;
- necessidade de recursos adicionais.
Mais importante do que procurar uma marca ou tecnologia anunciada especificamente “para zumbido” é realizar uma adaptação adequada da amplificação.
O aparelho precisa ser selecionado e programado de acordo com a avaliação auditiva de cada paciente.
Quanto tempo demora para o aparelho melhorar o zumbido?
Não existe um prazo igual para todos.
Algumas pessoas percebem o zumbido menos evidente enquanto utilizam o aparelho desde as primeiras fases da adaptação. Para outras, a redução do incômodo acontece progressivamente.
Também existe um período de adaptação à própria amplificação.
Uma pessoa que passou muito tempo ouvindo menos determinados sons pode estranhar quando volta a percebê-los. Sons cotidianos que estavam praticamente esquecidos podem inicialmente parecer muito presentes.
Por isso, o acompanhamento após a adaptação é importante para realizar ajustes e avaliar tanto o desempenho auditivo quanto a evolução do zumbido.
O que fazer quando existe zumbido e perda auditiva?
O primeiro passo é realizar uma avaliação para compreender as características tanto do zumbido quanto da audição.
A audiometria e outros exames, quando indicados, ajudam a identificar o tipo e o grau da perda auditiva. Também precisamos investigar quando o zumbido começou, se ocorre em um ou nos dois ouvidos, se é contínuo ou intermitente e quais outros sintomas estão presentes.
A partir dessa investigação, podemos definir se existe indicação para aparelho auditivo e quais outras estratégias podem fazer parte do tratamento.
Isso é especialmente importante porque nem todo zumbido é explicado exclusivamente pela perda auditiva.
Conclusão
O aparelho auditivo pode proporcionar uma melhora importante do zumbido em pacientes que apresentam perda auditiva associada, mas precisamos compreender corretamente seu papel: ele não cura o zumbido.
O aparelho corrige funcionalmente a perda auditiva e aumenta a quantidade de informações sonoras que chegam ao cérebro, fazendo com que, por extensão, o zumbido possa se tornar menos perceptível e menos incômodo.
Na NP Balance, contamos com uma equipe clínica inteiramente voltada para pessoas com tontura e zumbido. A avaliação permite investigar a audição e as possíveis causas do sintoma e, quando existe indicação de aparelho auditivo, realizar uma adaptação individualizada dentro de uma estratégia mais ampla de cuidado com o zumbido.
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Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



