O tratamento para zumbido no ouvido é individualizado e depende das causas e fatores associados. Pode envolver tratamento da condição de base, aparelhos auditivos, terapia sonora, aconselhamento e mudanças de hábitos.
O zumbido no ouvido pode se manifestar como um apito, chiado, assobio, cigarra ou outros sons percebidos, sem uma fonte sonora externa. Para parte das pessoas, o som é notado ocasionalmente e causa pouco incômodo. Para outras, pode ser irritante e interferir no sono, na concentração e na qualidade de vida.
Uma das dúvidas mais frequentes de quem convive com o problema é se existe um tratamento capaz de acabar definitivamente com o zumbido, mas essa resposta depende de cada caso.
O zumbido não é uma doença isolada, mas um sintoma que pode estar relacionado a diferentes condições. Por isso, não existe um tratamento único que funcione para todos os pacientes.
A abordagem adequada começa pela investigação das possíveis causas e dos fatores que podem estar contribuindo para a percepção e para o incômodo com o som. Continue a leitura para entender melhor!
Zumbido no ouvido tem tratamento?
Sim. Existem diferentes formas de tratamento para o zumbido no ouvido, e a escolha depende principalmente da sua origem, das características do sintoma, da presença de perda auditiva e do impacto que ele provoca na vida do paciente.
Em alguns casos, é possível identificar uma condição específica que está provocando ou agravando o zumbido, nesses casos, existe a maior chance de termos uma remissão completa.
Em outros pacientes, principalmente nos casos de zumbido crônico, não existe uma única causa que possa simplesmente ser eliminada. O que não significa, porém, que não exista tratamento.
Nessas situações, podemos trabalhar para reduzir a intensidade e percepção e, principalmente, o incômodo causado pelo zumbido devolvendo qualidade de vida ao paciente.
Por que é importante investigar os fatores associados ao zumbido?
Existem inúmeras condições relacionadas ao surgimento do zumbido. Entre elas estão perda auditiva, exposição excessiva a ruídos, acúmulo de cerume, infecções do ouvido, alterações da articulação temporomandibular (ATM), doença de Ménière e utilização de determinados medicamentos.
Por isso, antes de pensar em como tratar o zumbido, precisamos entender as características do sintoma e o contexto em que ele surgiu.
Durante a avaliação, investigamos questões como:
- quando o zumbido começou;
- se está presente em um ou nos dois ouvidos;
- se é contínuo ou intermitente;
- qual som o paciente percebe;
- se acompanha o ritmo dos batimentos cardíacos;
- se existe perda auditiva;
- se há tontura ou alterações de equilíbrio;
- se existem sintomas como pressão ou dor no ouvido;
- quais medicamentos o paciente utiliza;
- qual é o impacto do zumbido no sono e na rotina.
A avaliação auditiva também costuma ter papel importante nessa investigação. Dependendo das características do caso, outros exames podem ser necessários.
Quais são os tratamentos para zumbido no ouvido?
Como existem diferentes causas e mecanismos envolvidos no zumbido, o plano terapêutico pode reunir mais de uma estratégia.
Tratamento da causa identificada
Quando encontramos uma causa tratável, atuar sobre ela é uma das primeiras medidas.
Um paciente com excesso de cerume, por exemplo, pode apresentar melhora após a remoção adequada. Se existe uma infecção, ela deve ser tratada. Uso de medicamentos potencialmente relacionados ao sintoma e problemas da ATM ou musculatura mastigatória são outros exemplos de fatores que podem precisar de abordagem específica.
É importante não tentar descobrir ou tratar a causa por conta própria, pois sintomas semelhantes podem ter origens completamente diferentes.
Aparelhos auditivos
A perda auditiva é frequentemente associada ao zumbido. Quando ela está presente e existe indicação, os aparelhos auditivos podem fazer parte do tratamento.
Ao melhorar a entrada dos sons externos, esses dispositivos podem reduzir o contraste entre o zumbido e os sons do ambiente. Além disso, através da neurplasticidade o zumbido pode diminuir a partir da correção da perda auditiva.
Existem ainda aparelhos auditivos que oferecem recursos específicos de geração de sons utilizados no manejo do zumbido.
Terapia sonora
A terapia sonora utiliza estímulos sonoros externos para modificar a relação do paciente com o zumbido.
Sons ambientais, ruído branco e outros estímulos podem ser utilizados de acordo com a estratégia proposta para cada paciente. O objetivo não é simplesmente “abafar” o zumbido o tempo inteiro.
Em determinadas abordagens, os sons são utilizados para reduzir o contraste entre o zumbido e o silêncio, favorecendo gradualmente a habituação de modo que o cérebro atribua cada vez menos importância àquele estímulo.
Essa estratégia pode ser especialmente útil para pessoas que se incomodam muito com o zumbido em ambientes silenciosos ou na hora de dormir.
Aconselhamento
A desmistificação do sintoma por si só já é capaz de promover alguma melhora no paciente. O zumbido é um sintoma intrigante, infelizmente muito cercado de mitos e estigmas.
É também função do diagnóstico e do aconselhamento médico esclarecer o que realmente está acontecendo com o paciente e diminuir a sua ansiedade. O zumbido é apenas um sintoma, e ele pode ser tratado.
Além disso, tendo em vista que o indivíduo com zumbido tem alguma condição já instalada, como a perda auditiva, é importante tomar medidas para preservar a sua audição residual e não agravar o sintoma, por exemplo.
Tais medidas incluem evitar exposição a ruídos altos com frequência, utilizar dispositivos de proteção quando necessários (como protetores auriculares), entre outras atitudes.
Terapia cognitivo-comportamental
Quando o zumbido provoca sofrimento significativo, ansiedade, alterações do sono ou dificuldades emocionais, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) também pdeve ser considerada.
A proposta não é afirmar que o zumbido é “psicológico”. O objetivo é modificar pensamentos e comportamentos que contribuem para aumentar o sofrimento associado ao sintoma.
Para muitas pessoas, reduzir o impacto emocional é uma parte importante do tratamento.
Existe remédio para zumbido no ouvido?
Essa questão exige cuidado. Atualmente, não existe um medicamento específico capaz de eliminar o zumbido.
Medicamentos podem ser necessários quando existe uma condição que precisa ser tratada ou para controlar problemas associados, mas sua indicação depende do diagnóstico.
Por esse motivo, utilizar medicamentos, vitaminas ou suplementos por conta própria na tentativa de acabar com o zumbido não é recomendado.
O mesmo cuidado vale para produtos divulgados como “cura para zumbido”. Como o sintoma pode ter diversas origens, promessas de um tratamento universal devem ser vistas com cautela.
Mudanças de hábitos ajudam no tratamento?
Podem ajudar, principalmente quando determinados hábitos funcionam como fatores de piora para aquele paciente.
Sono inadequado, estresse e exposição excessiva a ruídos são exemplos de fatores que podem aumentar a percepção ou o incômodo com o zumbido.
Cafeína em excesso, álcool e determinados alimentos também são frequentemente relacionados ao problema, mas não é necessário estabelecer restrições indiscriminadas para todos os pacientes. O mais adequado é observar individualmente se existe uma relação consistente entre determinado hábito e a piora do sintoma.
Quanto tempo leva para o tratamento do zumbido fazer efeito?
Não existe um prazo único.
Quando o zumbido está diretamente relacionado a uma causa que pode ser corrigida, a resposta pode ser relativamente rápida. Nos casos crônicos, porém, o tratamento pode exigir acompanhamento por um período maior.
Processos de reabilitação e habituação são graduais. Nesse cenário, o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pelo desaparecimento completo do som.
Dormir melhor, conseguir trabalhar sem prestar atenção constantemente no zumbido, reduzir a ansiedade relacionada ao sintoma e voltar a frequentar ambientes que estavam sendo evitados também são resultados importantes.
Quando o zumbido precisa de avaliação médica?
Todo zumbido persistente ou que esteja afetando a qualidade de vida merece ser investigado. Algumas situações, entretanto, exigem atenção especial.
É importante procurar avaliação quando o zumbido surge acompanhado de perda auditiva repentina, apresenta ritmo semelhante aos batimentos cardíacos ou aparece junto a sintomas neurológicos, tontura importante ou alterações de equilíbrio.
Esses sinais não significam necessariamente que exista uma doença grave, mas justificam uma investigação mais rápida e aprofundada.
Conclusão
O tratamento para zumbido no ouvido não segue uma fórmula única. O primeiro passo é compreender as características do sintoma, investigar possíveis causas e avaliar seu impacto na audição, no sono, nas emoções e na qualidade de vida. A partir disso, podemos combinar diferentes estratégias para oferecer um cuidado amplo e eficaz ao paciente.
Na NP Balance, a avaliação e o tratamento são realizados por uma equipe clínica inteiramente voltada para pessoas com tontura e zumbido. Se você ou um familiar sofre com esse sintoma, entre em contato conosco para saber mais. Será um prazer atendê-lo!

Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



