A enxaqueca vestibular é uma condição neurológica caracterizada por episódios recorrentes de vertigem ou tontura. As crises podem ocorrer com ou sem dor de cabeça e também provocar náusea, desequilíbrio e sensibilidade à luz, sons e movimentos.
Tontura recorrente, vertigem, náusea, sensibilidade a movimentos e dificuldade para permanecer em ambientes visualmente movimentados. Esses sintomas costumam ser associados imediatamente a problemas do labirinto, mas existe outra possibilidade que precisa ser considerada: a enxaqueca vestibular.
A enxaqueca vestibular é uma importante causa de vertigem recorrente, e nem sempre o sintoma surge junto às crises de dor de cabeça.
Precisamos realizar uma avaliação adequada para saber como o quadro se manifesta em cada paciente e, então, estabelecer o diagnóstico e definir o tratamento.
Continue a leitura para saber.
O que é enxaqueca vestibular?
A enxaqueca vestibular é uma condição neurológica na qual sintomas vestibulares, como vertigem e tontura, estão relacionados à enxaqueca.
O sistema vestibular participa do nosso equilíbrio e da percepção da posição e dos movimentos do corpo. Para permanecermos equilibrados, o cérebro precisa integrar constantemente informações provenientes desse sistema com aquelas recebidas pela visão e pela propriocepção.
Na enxaqueca vestibular, alterações no processamento dessas informações podem favorecer sintomas como vertigem, instabilidade e sensibilidade aos movimentos.
É importante entender que não se trata simplesmente de uma “enxaqueca que dá tontura”. Em determinados pacientes, os sintomas vestibulares assumem um papel central no quadro clínico e podem ocorrer até mesmo sem a presença simultânea da típica dor de cabeça da enxaqueca.
Quais são os sintomas da enxaqueca vestibular?
A manifestação pode variar bastante de uma pessoa para outra. Os sintomas vestibulares aparecem em episódios e podem incluir:
- tontura e vertigem (sensação de que o ambiente ou o próprio corpo está balançando ou girando);
- desequilíbrio ou instabilidade;
- náuseas e, em alguns casos, vômitos;
- desconforto provocado por movimentos da cabeça;
- maior sensibilidade a movimentos e estímulos visuais.
Também podem estar presentes características típicas da enxaqueca, como dor de cabeça pulsátil, sensibilidade à luz (fotofobia), sensibilidade aos sons (fonofobia) e sintomas de aura visual.
Alguns pacientes percebem piora em ambientes com muitos estímulos visuais, como supermercados, shoppings, trânsito intenso ou locais com grande movimentação de pessoas.
A duração das crises também varia. De acordo com os critérios diagnósticos utilizados atualmente, os episódios vestibulares associados à condição podem durar entre 5 minutos e 72 horas.
Enxaqueca vestibular pode ocorrer sem dor de cabeça?
Sim. É possível ter uma crise de enxaqueca vestibular sem apresentar dor de cabeça naquele momento.
Esse é um dos motivos pelos quais o diagnóstico pode ser difícil. O paciente pode procurar atendimento principalmente por causa da tontura e não relacionar o problema à enxaqueca.
Algumas pessoas apresentam dor em determinadas crises e apenas sintomas vestibulares em outras. Também é possível que exista histórico de enxaqueca em outros períodos da vida, enquanto os episódios atuais sejam predominantemente de vertigem ou tontura.
Portanto, a ausência de dor de cabeça durante a tontura não exclui a possibilidade de enxaqueca vestibular.
Enxaqueca vestibular é a mesma coisa que labirintite?
Não. Enxaqueca vestibular e labirintite são condições diferentes.
No cotidiano, é muito comum utilizar a palavra “labirintite” como sinônimo de qualquer tontura ou vertigem. Do ponto de vista médico, porém, a labirintite é uma condição específica causada pela inflamação do labirinto, estrutura localizada no ouvido interno.
Já a enxaqueca vestibular é uma condição neurológica e costuma apresentar episódios recorrentes. Sensibilidade à luz e aos sons, histórico de enxaqueca e associação com determinados gatilhos (como esforço físico e estresse) podem contribuir para a investigação.
Além disso, existem diversas outras causas de tontura, como vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), doença de Ménière e alterações neurológicas.
É justamente por existirem sintomas semelhantes em condições diferentes que a investigação deve ser ampla para garantir um diagnóstico confiável.
O que pode desencadear as crises?
Os gatilhos não são iguais para todas as pessoas. Em pacientes predispostos, alguns fatores podem favorecer crises de enxaqueca e sintomas vestibulares.
Entre os possíveis gatilhos estão:
- alterações no padrão de sono;
- estresse;
- jejum prolongado;
- desidratação;
- esforço físico excessivo;
- mudanças hormonais;
- determinados estímulos luminosos;
- ambientes com excesso de informação visual;
- alguns alimentos ou bebidas, quando existe sensibilidade individual.
Um diário de sintomas pode ajudar a identificar padrões. É possível registrar quando ocorreu a crise, quanto tempo durou, quais sintomas estavam presentes, como estava o sono naquele período e quais situações antecederam o episódio.
Entretanto, não é recomendado criar uma longa lista de restrições alimentares sem identificar uma relação consistente entre determinado alimento e as crises.
Como é feito o diagnóstico da enxaqueca vestibular?
Não existe um único exame capaz de confirmar a enxaqueca vestibular. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado no padrão dos sintomas, histórico de enxaqueca e exclusão de outras causas capazes de explicar os episódios.
Os critérios diagnósticos consideram aspectos como a ocorrência de episódios vestibulares recorrentes, sua duração e a presença de histórico ou características de enxaqueca.
Durante a consulta, é importante compreender como é a tontura, quanto tempo cada episódio dura, com que frequência acontece e quais outros sintomas surgem durante as crises.
Dependendo do caso, exames auditivos, vestibulares, laboratoriais ou de imagem podem ser solicitados principalmente para diagnóstico diferencial (quando buscamos reduzir possibilidades).
Enxaqueca vestibular tem cura?
A enxaqueca vestibular é uma condição que pode ser controlada. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade das crises, aliviar os sintomas e diminuir o impacto da doença na rotina.
Alguns pacientes conseguem passar longos períodos com poucas ou nenhuma crise após o controle adequado. Entretanto, como existe uma predisposição à enxaqueca, não podemos estabelecer uma promessa de cura definitiva para todos os casos.
Por isso, o tratamento costuma envolver acompanhamento e estratégias individualizadas de controle e prevenção.
Como tratar a enxaqueca vestibular?
O tratamento depende da frequência, intensidade e impacto das crises. Também precisamos considerar outras características e condições de saúde do paciente.
Tratamento das crises
Durante os episódios, medicamentos podem ser utilizados para controlar sintomas específicos, como náusea, vertigem ou manifestações relacionadas à enxaqueca.
A escolha deve ser feita individualmente. A automedicação frequente não é recomendada, inclusive porque o uso excessivo de determinados medicamentos para dor de cabeça pode criar novos problemas.
Tratamento preventivo
Quando as crises são frequentes, intensas ou comprometem significativamente a qualidade de vida, podemos considerar medicamentos preventivos.
O objetivo é diminuir a frequência e a intensidade dos episódios ao longo do tempo. A escolha da medicação depende das características de cada paciente e deve considerar possíveis contraindicações e efeitos adversos.
Mudanças no estilo de vida
Regularidade costuma ser uma palavra importante para quem apresenta enxaqueca.
Manter horários adequados de sono, evitar longos períodos em jejum, manter boa hidratação, praticar atividade física regularmente e aprender a reconhecer e gerenciar gatilhos individuais são medidas que podem contribuir para o controle.
Reabilitação vestibular
A reabilitação vestibular também pode fazer parte do tratamento em casos selecionados, principalmente quando permanecem sintomas como instabilidade, intolerância aos movimentos ou sensibilidade visual entre as crises.
Os exercícios são planejados de acordo com as necessidades do paciente e procuram favorecer a adaptação do sistema responsável pelo equilíbrio.
Quando procurar ajuda por causa da tontura?
Crises recorrentes de vertigem ou tontura devem ser investigadas, especialmente quando começam a interferir no trabalho, sono, atividade física ou outras tarefas do cotidiano.
Também existem situações que exigem avaliação imediata. Uma tontura nova acompanhada de sintomas como dificuldade para falar, fraqueza ou perda de sensibilidade em um lado do corpo, desmaio, alteração importante da coordenação, visão dupla persistente ou dor de cabeça súbita e muito intensa não deve ser atribuída automaticamente à enxaqueca.
Conclusão
A enxaqueca vestibular é uma causa importante de tontura e vertigem recorrentes e pode se manifestar mesmo quando não existe dor de cabeça durante a crise. O diagnóstico depende de uma análise cuidadosa do padrão dos episódios e da diferenciação de outras doenças capazes de produzir sintomas semelhantes.
Na NP Balance, contamos com uma equipe clínica inteiramente voltada para o atendimento de pessoas com tontura e zumbido. A investigação especializada permite compreender melhor a origem dos sintomas e definir um plano individualizado de tratamento, incluindo estratégias para controle das crises e reabilitação quando indicada.
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Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



