A neurite vestibular, também chamada de neuronite vestibular, é uma alteração aguda do nervo vestibular que provoca vertigem intensa, náuseas e desequilíbrio. Em geral, não causa perda auditiva ou zumbido e a recuperação pode levar de dias a semanas.
Uma crise intensa de vertigem que começa de repente, acompanhada de náusea, vômitos e dificuldade para manter o equilíbrio, pode assustar bastante. Entre as possíveis causas desse quadro está a neurite vestibular.
Diferentemente de algumas formas mais comuns de vertigem, os sintomas podem permanecer por horas ou dias, principalmente no início do quadro, e deixar uma sensação de desequilíbrio mesmo depois que a fase mais intensa passa.
Apesar dos sintomas bastante incômodos, a evolução costuma ser favorável. Entretanto, como uma vertigem súbita e persistente também pode ocorrer em problemas neurológicos potencialmente graves, a avaliação adequada é fundamental.
Continue a leitura para saber.
O que é neurite vestibular?
A neurite vestibular ou neuronite vestibular é uma condição que compromete de forma aguda o nervo vestibular, responsável por levar ao cérebro informações do ouvido interno relacionadas ao equilíbrio e aos movimentos da cabeça.
Também podemos encontrar na literatura médica o termo vestibulopatia unilateral aguda para descrever esse quadro.
Para manter nosso equilíbrio, o cérebro precisa combinar informações provenientes principalmente do sistema vestibular, da visão e da propriocepção. Quando o funcionamento de um dos nervos vestibulares é prejudicado repentinamente, os sinais provenientes dos dois lados ficam assimétricos.
O cérebro interpreta essa diferença como movimento, mesmo quando estamos parados. É daí que podem surgir a vertigem intensa e o desequilíbrio característicos da fase inicial.
Quais são os sintomas da neurite vestibular?
O quadro geralmente começa de maneira súbita e intensa.
Os principais sintomas são:
- vertigem intensa e persistente;
- náuseas;
- vômitos;
- dificuldade para caminhar;
- instabilidade e desequilíbrio;
- piora dos sintomas com movimentos da cabeça;
- nistagmo, que consiste em movimentos involuntários dos olhos.
A pessoa pode acordar já com vertigem ou perceber os sintomas aumentando rapidamente ao longo de algumas horas.
Nos primeiros momentos, movimentar a cabeça pode ser bastante desconfortável. Entretanto, uma diferença importante em relação à vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é que, na neurite vestibular, a vertigem não ocorre somente ao realizar determinados movimentos ou posições da cabeça.
O sintoma tende a permanecer mesmo quando o paciente está parado, principalmente durante a fase aguda.
Neurite vestibular causa perda auditiva ou zumbido?
Em geral, não. A neurite vestibular típica provoca vertigem e desequilíbrio sem causar perda auditiva ou zumbido no ouvido.
Essa característica é importante porque ajuda a diferenciar a neurite vestibular de outras doenças que também podem provocar uma crise prolongada de vertigem.
O motivo está na estrutura comprometida: a neurite afeta a função vestibular, relacionada ao equilíbrio, enquanto a função auditiva tende a permanecer preservada.
Se uma pessoa apresenta vertigem aguda acompanhada de perda de audição ou zumbido, precisamos considerar outros diagnósticos e realizar uma investigação apropriada.
Qual é a diferença entre neurite vestibular e labirintite?
Embora os dois diagnósticos tratem de quadros agudos de inflamação, neurite vestibular e labirintite não são exatamente a mesma coisa.
Na neurite vestibular, o comprometimento envolve o nervo vestibular e o paciente apresenta principalmente vertigem e desequilíbrio, sem perda auditiva.
Na labirintite, existe comprometimento de estruturas do labirinto e podem aparecer também sintomas auditivos, principalmente perda de audição e zumbido.
Na prática, é comum que pacientes chamem praticamente qualquer crise de tontura de “labirintite”. Entretanto, existem várias doenças capazes de provocar vertigem, e diferenciá-las é essencial porque os tratamentos não são necessariamente iguais.
O que causa neurite vestibular?
A causa exata nem sempre pode ser determinada.
Acredita-se que muitos casos estejam associados a um processo inflamatório do nervo vestibular, possivelmente relacionado a uma infecção viral ou a uma resposta inflamatória após uma infecção.
Alguns pacientes relatam sintomas respiratórios ou outra infecção viral antes do início da vertigem. Em outros, porém, não existe nenhum episódio claramente identificável.
Por isso, apesar do nome “neurite” sugerir inflamação do nervo, nem sempre conseguimos demonstrar exatamente o que desencadeou o processo em determinado paciente.
Quanto tempo dura a neurite vestibular?
A fase mais intensa costuma ocorrer no início. A vertigem grave pode durar alguns dias e melhorar progressivamente, mas alguma tontura e desequilíbrio residuais podem permanecer por semanas e, em alguns pacientes, por meses.
Isso acontece porque a melhora não depende apenas da recuperação da função vestibular afetada.
O cérebro também precisa aprender a lidar com a diferença de informação entre os dois lados. Esse processo é chamado de compensação vestibular.
É por isso que uma pessoa pode não apresentar mais aquela sensação intensa de que tudo está girando, mas ainda sentir instabilidade ao caminhar, virar rapidamente a cabeça ou realizar determinadas atividades.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado principalmente a partir da história clínica e do exame físico.
O profissional avalia características como início e duração da vertigem, presença de nistagmo (movimento involuntário dos olhos), equilíbrio e funcionamento do reflexo vestíbulo-ocular.
Exames auditivos também podem ser importantes para verificar se existe comprometimento da audição e auxiliar na diferenciação de outras doenças.
Dependendo das características do quadro, podem ser solicitados exames vestibulares e exames de imagem.
Um dos principais desafios durante uma síndrome vestibular aguda é diferenciar uma alteração vestibular periférica, como a neurite, de problemas envolvendo o sistema nervoso central.
Por isso, uma primeira crise de vertigem intensa e persistente não deve ser diagnosticada pelo próprio paciente apenas com base nos sintomas.
Neurite vestibular pode ser confundida com AVC?
Sim. Alguns acidentes vasculares cerebrais (AVCs), especialmente aqueles que comprometem determinadas regiões responsáveis pelo equilíbrio, podem provocar vertigem aguda, náuseas, vômitos e dificuldade para caminhar.
Existem exames clínicos utilizados por profissionais treinados para auxiliar nessa diferenciação, como a avaliação conhecida pela sigla HINTS.
Isso não significa que toda vertigem intensa seja um AVC. Significa apenas que, diante de uma síndrome vestibular aguda, precisamos avaliar o conjunto dos sinais antes de concluir que se trata de neurite vestibular.
Fraqueza ou perda de sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade para falar, visão dupla, alteração importante da coordenação, dificuldade intensa para caminhar e outros sintomas neurológicos exigem avaliação imediata.
Como tratar a neurite vestibular?
O tratamento depende da fase da doença e das características do paciente.
Medicamentos na fase aguda
Nos primeiros dias, podem ser utilizados medicamentos para reduzir vertigem, náuseas e vômitos.
Esses medicamentos podem trazer bastante alívio quando os sintomas estão intensos, mas os chamados supressores vestibulares geralmente devem ser utilizados por períodos curtos e sempre conforme orientação profissional.
Isso é importante porque o uso prolongado pode dificultar o processo natural de compensação vestibular.
Corticoides também são utlizados, mas sua indicação deve ser individualizada.
Reabilitação vestibular
Depois da fase aguda, movimentar-se progressivamente passa a ter um papel importante na recuperação.
Quando permanecem tontura, instabilidade ou dificuldade com movimentos da cabeça, a reabilitação vestibular pode ser indicada.
Ela utiliza exercícios específicos para estimular mecanismos de compensação do sistema nervoso.
Os exercícios podem envolver movimentos da cabeça e dos olhos, equilíbrio e exposição progressiva às situações que provocam sintomas.
O programa deve ser adaptado às alterações encontradas na avaliação de cada paciente.
Neurite vestibular tem cura?
A maioria dos pacientes apresenta melhora importante, principalmente da vertigem intensa inicial.
Entretanto, a velocidade e o grau de recuperação variam. Algumas pessoas recuperam a função vestibular de forma bastante satisfatória, enquanto outras permanecem por mais tempo com algum grau de instabilidade ou sensibilidade aos movimentos.
Nesses casos, favorecer a compensação vestibular e evitar comportamentos que prolonguem desnecessariamente a recuperação pode ser tão importante quanto controlar os sintomas da fase inicial.
Na NP Balance, contamos com uma equipe clínica inteiramente voltada para pessoas que sofrem com tontura e zumbido. A avaliação especializada permite identificar as alterações vestibulares presentes e, quando indicado, estabelecer um programa individualizado de tratamento e reabilitação para favorecer a recuperação do equilíbrio.
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Médica Otoneurologista com foco em Tontura e Zumbido no Ouvido. Formada em Medicina pela UFRJ, com residência em Otorrinolaringologia pela UERJ e especialização e Mestrado em Otoneurologia pela UNIFESP-EPM. Possui título de especialista em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial pela ABORL-CCF. Atende em consultórios localizados em Moema, São Paulo, e na região de Alphaville e Tamboré. CRM/SP 203299.



